O desejo de condenar Lula

O destino do ex-presidente está definido no ódio da elite nacional





Ex-presidente Lula chega à Justiça Federal para prestar depoimento sobre Sítio de Atibaia. Foto: Leandro Taques/Porém.net

A narrativa da imprensa brasileira, do judiciário e do mercado não se esconde mais: eles desejam a condenação de Lula. Com ou sem provas. No entanto, sabem que o ex-presidente não pode simplesmente ser crucificado em praça pública. O açoite que ele está sofrendo nos últimos anos e nos derradeiros meses tende a transformá-lo em mártir dos pobres. Nesse contexto, se dá a figura de Lula a imagem de um injustiçado.

Ciente desse significado, a imprensa, o judiciário e o mercado tentam a todo custo transformar Lula em algoz do Brasil. Compram para si a pecha de vítimas daquele que vendeu seus ideais por trinta moedas de ouro ou um apartamento no litoral de São Paulo.
A estratégia de contar a história que se convém não está na bíblia, mas exposta no mundo virtual. A mídia, de forma uníssona, afirma que Lula ataca a justiça brasileira. Essa imprensa, a todo custo, tenta alimentar um conflito físico que possa justificar o uso de força policial contra manifestantes em 24 de janeiro. Nesse sentido, é como se a mídia dissesse ao povo que Pôncio Pilatos, coitado, não tinha parcela de culpa pela sua omissão. Apenas condenava Jesus Cristo pelos incontestes crimes contra o estado romano. No caso de Lula, a imprensa ignora deliberadamente que o triplex foi arrolado pela 2ª Vara de Execução e Títulos no Distrito Federal, de Brasília, para o pagamento de dívidas e que esse imóvel pertence a OAS.

Já a peregrinação do presidente do TRF4, Thompson Flores, pelo país em busca dos holofotes é reveladora do medo que ele nutre ao condenar Lula. É o covarde batendo e escondendo a mão. É como se ele falasse: “agredi em advertência antes de ser agredido por quem sequer ergueu os punhos”. Deve ter lhe doído os brios após Lula cravar-lhe na testa sua genealogia de predador. Ao mostrar que por debaixo de seu terno corre nas veias e nas mãos o sangue de Antônio Conselheiro, morto por seu bisavô.

Todo esse simbolismo é o que assusta aos cães da elite. Eles sabem que a pura condenação de Lula não afasta de si a liderança nas pesquisas e o desejo de vê-lo retornar à presidência para reverter a injustiça ao qual o povo está sendo submetido. A elite tem noção que um novo pacto de Lula será diretamente com a população e que ela, a casta superior, tende enfim a ser obrigada a dar sua pequena cota de sacrifício ao país.

Diante desse enredo, de forma ousada, a elite nacional tenta a todo custo dar mais um golpe no país sem o menor constrangimento. Também pudera, do suicídio de Getúlio Vargas ao golpe de 1964, passando por tantos outros episódios da história nacional como a escravidão, a classe dominante nunca se envergonhou em permanecer no poder a todo custo. Tolos são alguns setores progressistas que sempre estenderam a mão ao outro sem que esse sequer estivesse ajoelhado. Os desejos estão postos e o destino do país completamente indefinido.