[ sexta-feira, 06 de março de 2026 ]
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Sem vacina, Greca empurra profissionais para aulas presenciais

Protocolo de retorno às aulas ignora as incertezas da pandemia

Tive acesso ao protocolo de retorno ao atendimento presencial nas unidades do CMEI. Infelizmente o que vejo é superficialidade e ao invés de sanar duvidas e acalmar  a ansiedade dos trabalhadores gerando mais incertezas e indignação. Citando os protocolos de 2020, quando as aulas foram suspensas, as normas dizem ter “o propósito de prover orientações claras e práticas para as equipes de profissionais que atuam nas unidades e também para as crianças, estudantes e suas famílias, para o momento de reabertura das unidades para retomada das atividades presenciais seguindo princípios básicos de segurança”.

O documento não leva em conta especificidades referentes a educação infantil. E nós sabemos que estamos em um momento de pandemia e singular na história recente da humanidade. Porém no mínimo, deveria estar evidente nesse documento é participação dos sujeitos que estão no chão do CMEI/ Escola.

O que justifica o retorno das aulas neste momento em que a pandemia está ainda mais descontrolada do que no ano passado, com um a série de incertezas com relação às medidas de isolamento e ainda maiores com relação à vacinação?

No ano passado, quando as aulas foram suspensas em 23 de março, a cidade tinha 37 casos confirmados, 233 suspeitos e nenhuma morte. Na ocasião, o prefeito Rafael Greca disse: “peço que todos compreendam esta decisão naquilo que ela é: uma forma de conter o avanço do problema e assim diminuir impactos futuros na rede de saúde de Curitiba”.

Em um ano, o que mudou ou melhorou para uma rede municipal de ensino que atende cerca de 140 mil estudantes. São 185 escolas e 228 CMEIs (Centros Municipais de Educação Infantil), além de 95 CEIs (Centros de Educação Infantil contratados)?

Porque os números pioraram. Agora são 455 novos casos em um dia e 11 novas mortes, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde do dia 26 de janeiro.

O que se observa é a incoerência da gestão municipal e também a responsabilização de tudo e por tudo sob equipe gestora e dos profissionais do CMEI, que estão ali na ponta atendendo a comunidade. A gestão está nos impondo a abnegação compulsória ao assumir toda a responsabilidade e consequências que essa doença pode trazer enquanto exime a responsabilidade dos nossos governantes.

Caberá aos profissionais todas as tarefas de higienização, limpeza e cuidado com as crianças. Algo que ninguém se furtará a fazer. Não estamos nos negando a retornar por preguiça como afirmam inclusive vários atores relevantes do cenário atual como o próprio presidente. Poderíamos sim estar discutindo o protocolo, o retorno seguro ao atendimento presencial, se nossos governantes tivessem cumprido com  seu papel, tomando as medidas necessárias e responsáveis em providenciar a vacina para toda população.

O que não vemos é a contrapartida da Prefeitura de Curitiba Que cidade humana é essa que empurra as crianças para escola só tendo vacinado 4,5 mil pessoas, não sendo nenhuma da educação? Após um ano de pandemia, momento que  aliás já existem vacinas e vários países estão em plena campanha de vacinação, o que vemos é o prefeito Rafael Greca e sua equipe em mais uma atitude negacionista para o perigo, empurrando profissionais, crianças e sociedade para o aumento do contágio enquanto a vacina não chega para todos. Chega disso!

*Edicleia Aparecida Farias é professora de educação infantil na rede municipal de Curitiba

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