[ sexta-feira, 06 de março de 2026 ]
InícioDESTAQUEProfessores discutem futuro do jornalismo em Tocantins

Professores discutem futuro do jornalismo em Tocantins

Porém.net se torna referência como “projetos que utilizam jornalismo contra-hegemônico"

“O momento em que vive o Brasil e, consequentemente, o ensino superior, impõe desafios redobrados para o jornalismo”. Foi desta forma que Marcelo Bronosky, presidente da Associação Brasileira de Ensino de jornalismo (ABEJ) abriu o 17° encontro nacional de professores de jornalismo.

Durante quatro dias o Congresso sediado pela Universidade Federal de Tocantins (UFT) debateu entre quase 50 professores de jornalismo e representantes de organizações de defesa do jornalista de todo o Brasil temas como as novas diretrizes do currículo da área, ética profissional e regulamentações do estágio na profissão.

Os impactos iminentes da reforma trabalhista na educação superior foram pontuados como extremamente preocupantes no Encontro. O professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Sérgio Gadini, comparou à situação da Espanha. Os trabalhadores do país europeu já sofrem as consequências da reforma laboral instituída em 2012, bastante semelhante à brasileira.

Professores discutem os rumos da profissão diante da reforma trabalhista. Foto: Silvio Barbosa

“Os espanhóis já comprovaram a retirada de direitos trabalhistas, a precarização das relações de trabalho e o enfraquecimento das entidades representativas. Perder a condição de reivindicar direitos torna o trabalhador mais vulnerável ao poder do capital. Nossa economia já mostra que os governos ficam reféns de sistemas que cada vez mais cortam recursos destinados a serviços públicos essenciais, como a educação, a pretexto de que isso seria um gasto”, explica.

Já fazendo uma análise mais interna do papel do professor, o pesquisador do departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco, Alfredo Vizeu, trouxe em conferência a reflexão sobre o ensino em tempos de crise. Para Vizeu, o jornalismo contribui para a formação de um espelho da realidade, mas tem se submetido ao falso poder de prever e sentenciar por meio da mídia, esquecendo da premissa maior da profissão: a ética. “O jornalismo tem como missão básica interpretar a realidade social e com isso contribuir para que o ser humano compreenda mais as sociedades complexas. Essa é uma função central do jornalismo: as sociedades democráticas”, enfatiza.

Jornalismo independente

Práticas de ensino de relevância social foram apresentadas como fundamentais na proposta de cumprir o papel social do jornalismo. O incentivo ao jornalismo alternativo, a exemplo do próprio Porém.net, foi apresentado como uma forma de luta, militância e resistência à mídia hegemônica. Para a professora da UFRGS, Sandra de Deus, “o docente abre possibilidades para que os estudantes compreendam que existem outras alternativas e que estas têm um compromisso com o jornalismo e não com empresas. Este é o papel do professor em sala e em diferentes projetos que realiza, seja na pesquisa ou na extensão”, enfatiza.

A professora da Uninter, Silvia Valim, apresentou alternativas ao jornalismo comercial. Foto: arquivo pessoal.

Diante da necessária atualização constante dos profissionais do ensino, uma das discussões foi o desafio de professores diante das novas plataformas e convergências em jornalismo sem precarizar o ensino e as relações de trabalho.

Atualmente, o país conta com 315 instituições de ensino em jornalismo regulamentadas. Uma constante preocupação das instituições de ensino é em como lançar esses profissionais que estão sendo formados no mercado. Para Vizeu, é simples e objetivo o papel do professor nesse momento. “Nós temos que instrumentalizar nossos alunos do ponto de vista teórico e prático para que desenvolvam atividades da profissão, mas sempre com a centralidade na ética e na qualidade da informação”.

MAIS DO AUTOR

Leia também