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PSOL de Cascavel repudia declarações de coronel da PM sobre Marielle Franco

Oficial compartilhou texto relativizando assassinato da vereadora do Rio de Janeiro

Os assassinatos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Pedro Gomes no Rio de Janeiro, na quarta-feira (14), causaram comoção nacional e internacional, mas também provocaram reações de algumas pessoas que passaram a relativizar o crime, especialmente nas redes sociais, acusando a parlamentar de ter “provocado a própria morte por seus posicionamentos políticos”.

Foi o caso de um coronel da Polícia Militar do Paraná. Washington Lee Abe, que comanda um destacamento regional no Oeste do Paraná, compartilhou um texto em suas redes sociais a respeito do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) no Rio de Janeiro.

Em seu texto, o oficial cobra respeito da polícia e relativiza o crime. Ele afirma que setores da sociedade querem transformar Marielle em mártir. “Por que tanta tentativa de transformar essa vereadora em mártir? Ela representa o povo? Que povo? Qual segmento do povo? Do cidadão de bem?”, escreveu o policial.

Em tom de ironia, Lee Abe brinca com dados relacionados ao genocídio da população negra. “Nós, PM, saímos pelas ruas escolhendo 30% de negros e pobres para matar (hahaha). Quando atingimos a nossa quota diária, vamos completar nossa meta matando brancos, asiáticos e tudo o mais que aparecer na nossa frente. É assim que funciona?”. Washington Lee termina seu texto afirmando que a “polícia tem uma missão muito maior do que mesquinharia”.

As declarações do coronel causaram reações contrárias, especialmente por tratar-se de um cidadão que comanda uma corporação. Nesta sexta-feira (16), o PSOL de Cascavel manifestou-se por meio de uma nota oficial. Confira abaixo a íntegra da nota assinada pela Executiva Municipal do PSOL de Cascavel.

Nota do PSOL Cascavel em repúdio ao Comandante Lee

O assassinato brutal da vereadora carioca, Marielle Franco, e do motorista, Anderson Gomes, une o país em busca de justiça e abre debate sobre a guerra que governos corruptos obrigam as forças policiais fazerem contra o povo pobre. Mais uma entre as milhares de mortes insanas de um sistema falido e ineficaz. Porém, desta vez, não apenas o Brasil, mas o Mundo se mobiliza contra um crime brutal que calou a voz forte de uma mulher jovem, negra, popular e vencedora na árdua luta pela vida.

Se por um lado houve comoção e solidariedade mundial, por outro, alguns posicionamentos causam perplexidade pelo teor desrespeitoso, não apenas para com as vítimas, familiares, mas também aos brasileiros pobres, honestos e trabalhadores. É o caso do pronunciamento oficial feito pelo Coronel Washington Lee Abe, Comandante do 5º Comando Regional da Polícia Militar do Paraná. Em manifesto público, o Comandante, de forma precipitada e inapropriada tenta inocentar a possibilidade da execução por parte de milícias policiais. Uma NOTA que peca pela insensibilidade, ofende e demonstra despreparo e falta de isenção ideológica de um Comandante que ocupa alto posto dentro da hierarquia militar do Paraná.

A nota, publicada nos meios de comunicação, ataca as vítimas e descarta a principal linha de investigação. Um erro que já ocorreu em casos semelhantes, como o assassinato da Juíza Acioli, que investigava abusos e crimes praticados por PMs do Rio de Janeiro. Acioli foi morta com a mesma crueldade e mesmo modus operandi presente no caso Marielle e Anderson. No caso Acioli, ocorreu uma execução comprovada que envolveu onze policiais que praticaram o crime, dentre eles um oficial de alta patente.

É de conhecimento público apoiado por dados estatísticos, que a policia carioca é uma das mais corruptas e criminosas do mundo. Infelizmente é a que mais mata e a que mais morre. Existem inúmeras denúncias com relação a isso por parte de secretários de Segurança, promotores, juízes e ativistas do Rio de Janeiro. Sair na defesa cega da PM carioca é um ato falho, despreparado, de má-fé.

Marielle representava a Maré e outras comunidades periféricas do Rio. Representava a luta por direitos humanos de milhares de pessoas que se manifestaram nas principais cidades do Brasil e do Mundo. Predominantemente, a vereadora representava trabalhadores e trabalhadoras pobres, mulheres negras, LGBTs. Representava a renovação na política, a juventude, a força feminina, o respeito as diferenças e a esperança de que é possível ter decência na política.

Quem transformou Marielle em “mártir” é quem assim a classificou. Ela, o motorista Anderson, e suas famílias, sofrem um ataque sórdido e desumano em um momento de profunda dor. Um ataque de quem deveria “Servir e Proteger”, de quem deveria zelar pela vida humana.

Marielle, agora representa um novo movimento que surge com muita força e que pede dignidade e o fim da guerra aos pobres, justificada, muitas vezes, como guerra ao tráfico. As forças policiais precisam agir com eficiência, mas com humanidade e prudência, antes que muitas outras Marielles, Aciolis, Andersons morram e esses crimes tornem-se banais. Essa é a missão nobre que precisa urgentemente ser repensada por aqueles e aquelas oficiais dignos e que não estão representados na fala do Coronel Washington Lee.

Executiva Municipal do PSOL Cascavel
16 de março de 2018

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