O Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel e o teólogo Leonardo Boff estiveram na nesta quinta-feira (19) na superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, para tentar visitar Lula. Porém, não foram autorizados pela Justiça Federal. Amigos pessoais do petista há mais de três décadas, ambos participaram de um ato político na vigília do acampamento Lula Livre. Eles aguardam uma resposta da Justiça para que possam visitar o ex-presidente ainda nesta quinta-feira.
Esquivel, que na noite desta quarta-feira (18) participou do Circo da Democracia na Universidade Federal do Paraná (UFPR), protocolou junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Justiça Federal de Curitiba ofício para verificar a condição da prisão de Lula e fazer inspeção na PF na condição de “Prêmio Nobel da Paz e presidente de Organismo de Tutela Internacional dos Direito Humanos (SERPAJ)”. O documento invoca as “Regras de Mandela”, uma recomendação da Organização das Nações Unidos (ONU) sobre o tratamento de presos e vistorias em locais de reclusão.
Em entrevista coletiva, o ativista argentino afirmou que aguarda um posicionamento da Justiça para que consiga visitar o ex-presidente antes de seu retorno à Buenos Aires, programado para esta sexta-feira (20). “Estive com o superintendente da Polícia Federal e o que me disseram é que tenho que esperar que a Justiça autorize minha visita. Até o momento essa possibilidade está fechada”, disse o Nobel da Paz aos jornalistas.
Esquivel, que sugeriu a indicação de Lula ao Nobel da Paz, afirmou que o ex-presidente está na condição de preso político e que seu cárcere transcendeu as fronteiras do Brasil. “Queremos Lula Livre para que possa seguir caminhando junto a seu povo. É uma injustiça o ele está passando. É importante que o povo esteja reunido para cobrar a reparação dessa injustiça. Quero encontra-lo para dar um abraço e transmitir a solidariedade de grande parte do mundo. Sua liberdade dependerá da unidade do povo e da solidariedade internacional”.

A visita de Leonardo Boff teria um caráter religioso. Além de confortar o amigo, o líder espiritual pretendia entregar ao ex-presidente livros e um xale. Durante o ato político, Boff parabenizou a militância do acampamento Lula Livre pela persistência, coragem e capacidade de indignação. Ele afirmou que as mobilizações são fundamentais para que Lula possa ser libertado e tenha o direito de disputar as eleições.
O teólogo afirmou que Lula está sendo privado do bem mais precioso do ser humano após o nascimento: a liberdade. “Lula não está preso por um crime que cometeu, não foi a Justiça que prendeu Lula. Ele está preso pelo seu significado e pelo que representa ao povo brasileiro”, destacou.
Ofensas
Em entrevista à mídia alternativa, o teólogo denunciou que foi ofendido por policiais militares do Paraná ao tentar visitar Lula na superintendência da PF. “Eles [policiais militares] não deixaram eu entrar, começaram a xingar o Lula e dizer “todos vocês [do acampamento] são bandidos e ladrões”. Mas eles são mandados. Eles tem cabeça de camarão. Não pensam em nada”, declarou.
Boff ainda criticou a elite brasileira, responsável pelo golpe que derrubou a ex-presidenta Dilma Rousseff. “Esse golpe teve as mesmas características de Honduras, Paraguai, feito por um parlamento venal comprado com dólares americanos, com apoio de setores do Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal. Esse conglomerado deu o golpe para impedir que aqueles que sempre estiveram sempre à margem consigam subir degraus. Nossa democracia é de privilégios, não de direitos, comandada por uma elite do atraso, reacionária, antipopular e antinacional”, apontou.
Comitiva internacional
Anteriormente, Boff havia participado do tradicional “bom dia Lula”, saudação diária ao ex-presidente, que nesta quinta-feira, contou com a presença de uma comitiva internacional composta por Socorro Gomes, integrante do Comitê Internacional de Solidariedade Lula Livre e presidenta do Conselho Mundial da Paz; Ignácio Bernal, senadora da república espanhola; e Natália Sanchez, deputada da Catalunha.




