[ sexta-feira, 06 de março de 2026 ]
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Deu ruim para os tucanos

Partido viu caciques sendo denunciados e até habeas corpus foi negado

Trend topics | Os tucanos se deram mal hoje, 20 de abril de 2018. Quase ninguém percebeu, absorvidos pela comemoração de uma acriana, vencedora do reality show da Globo. Enquanto isso, grandes figurões do PSDB eram expostos pegos naquilo que mais gralhavam contra o PT nos últimos dois anos: o envolvimento em casos de corrupção. Mas essa exposição agora pode ser positiva, pois o dano momentâneo é absorvido por outras pautas que têm disputado a atenção dos brasileiros. Daqui três meses, se as investigações voltarem a agenda, poderão responder que é notícia requentada.

Aos urubus | Há dois anos e quatro dias, era aberto o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Acusada de fazer pedaladas administrativas, hoje ela observa seus adversários sendo jogados às traças. Eduardo Cunha (PMDB), patrocinador da instabilidade do país, está preso preventivamente há um ano, em Curitiba. Seu aliado de carnificina, embora solto, já apodrece no cenário político. Trata-se de Aécio Neves (PSDB). Ele, que tanto resistiu a ser investigado, sendo blindado pela presidente do STF, Carmen Lúcia, hoje levou um grande golpe com as revelações tornadas públicas pelo ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio (PMDB) e pelo empresário Joesley Batista (JBS Frigou). O mineiro virou carniça.

Apodrecendo | A carne de Aécio quase foi poupada. No dia 17, o STF aceitou a abertura de inquérito contra ele por cinco a zero em um debate mantido às escuras. Hoje, no entanto, Serraglio atirou para todos os lados. Afirmou claramente que o tucano tentou parar a investigação da Lava Jato indicando um delegado ao caso. Já Joesley voltou a demonstrar que deu R$ 110 milhões a sua campanha para comprar apoio político. Se para o PT o dinheiro “doado legalmente” era propina simulada, para Aécio não pode ser enquadrado como Caixa 2. O fato é que ninguém esquece os R$ 2 milhões do áudio pedidos por Aécio somados, agora, a mesada de R$ 60 mil para o rapaz de Minas.

Prazo de validade | Mas Aécio é carta fora do baralho faz tempo. Servirá de bode expiatório para reforçar a imagem de “justiça para todos os lados”. Carne fresca é o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Esse conseguiu escapar da Força Tarefa da Lava Jato paulista ao perder o foro privilegiado. Chegou a prestar depoimento em sigilo, sem sequer vazamento de um soluço dele. No entanto, o Ministério Público de São Paulo (aquele que sempre engavetou ações contra o governo paulista) decidiu abrir inquérito contra o “santo”. A investigação é por ele não ter declarado à Justiça Eleitoral R$ 2 milhões para a campanha de 2010 e R$ 8,3 milhões para a campanha de 2014. Nada, no entanto, fora dos trilhos.

Rota desenfreada | Mas Alckmin não pode respirar aliviado. Ele tem uma pedra em seu sapato chamada Paulo Preto, o homem das propinas do metrô e outras coisinhas a mais. E hoje, anotem, 20 de abril de 2018, o ministro Gilmar Mendes, habituado a conceder habeas corpus, negou o benefício ao ex-diretor da Dersa. Aí mora o perigo para Alckmin. Paulo Preto é uma bomba relógio. Se falar, explode a já frágil candidatura do PSDB.

Por que não te calas? | Temer falou hoje em rede nacional, mas ninguém, novamente o ouviu. Citou até Tiradentes, numa tentativa de melhorar sua imagem. A Temer, o melhor seria o silêncio até o fim do governo. Quem sabe, o povo o esquecendo e ele não atrapalhando, não lhe agem uma má pessoa.

Manoel Ramires
Manoel Ramires
Jornalista, atuou como editor no Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba e é colunista do Brasil de Fato do Paraná. Já publicou Vozes da Consciência (Entrevistas) e Crônicas dos Excluídos. Atua em jornalismo político.
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