FALA QUE ESCUTO | Queiroz apareceu. Mas ainda não prestou depoimento ao Ministério Público sobre sua movimentação financeira revelada pelo COAF. O ex-motorista e assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) concedeu entrevista exclusiva ao SBT. E as suas explicações, após mais de vinte dias de silêncio, não convenceu ninguém além dos bolsonaristas e, talvez, do ministro da justiça, Sérgio Moro.
TRAMBIQUEIRO | De acordo com Fabrício Queiroz, o motivo de sua movimentação financeira incomum para um assessor parlamentar e amigo da família Bolsonaro é ser “homem de negócios”. Ou, no popular, trambiqueiro. Ele justificou que compra e revende carros. Às vezes reforma um o outro para fazer grana. No entanto, não esclareceu porque seu negócio lucrativo se dava sempre com toda a sua família empregada nos gabinetes dos Bolsonaros, tampouco porque os depósitos e saques, coincidentemente, ocorriam em dias de pagamento da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
AMNÉSIA | Para justificar seu desaparecimento, afirmou que fez exames e diagnosticou um câncer, inclusive com exame de toque. No entanto, Fabrício Queiroz não soube recordar qual era o nome do médico que o atendeu, tampouco o nome do hospital em que ficou internado, levando a crer que a história não passa de uma peça de ficção. Aliás, nas redes sociais, os internautas comentaram como foi constante a forma como Queiroz coçava o nariz, em uma postura de quem estaria faltando com a verdade.
SBTBRAS | Diante das explicações, resta saber se o Ministério Público pedirá ao SBT o vídeo com a entrevista, anexará ao processo e se dará satisfeito. Ou se sentirá humilhado pela tática “Jair Bolsonaro” que foge dos esclarecimentos à população, como no debate eleitoral, e depois reaparece em uma “exclusiva” com veículos de comunicação “chapa branca”. O SBT tá forte na concorrência por ser a emissora oficial do presidente após a entrevista light.

LULA NA MANGA | Parece que teremos quatro anos de Lula como coringa dos Bolsonaros. Bastou eles se enrolarem, para surgir alguma menção citando o ex-presidente. A última foi da primeira dama, Michele Bolsonaro. Ela, que recebeu R$ 24 mil de Queiroz e se envolveu em polêmica por retirar símbolos cristãos da residência oficial, apareceu com uma camisa em alusão a um depoimento de Lula: “Se começar nesse tom comigo, a gente vai ter problema”. Chiste comemorado pelos bolsonaristas e visto como deselegante para uma primeira dama barraqueira.




