[ sexta-feira, 06 de março de 2026 ]
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Saudistas suspendem compra de frango e Paraná pode ser prejudicado

22% das exportações do estado é para Arábia Saudita

A Arábia Saudita revogou a licença de frigoríficos brasileiros para exportar frango para aquele país. Apesar de 33 frigoríficos terem autorização para a exportação da carne, os árabes compravam o frango de apenas cinco empresas. Entre as unidades descredenciadas estão JBS e BRF, gigantes do setor.

O anúncio do país, onde 90% da carne consumida é brasileira – o que dá ao Brasil um saldo comercial de US$ 1,012 bilhão -, foi feito nesta terça-feira (22), após o órgão da Arábia Saudita, que se assemelha à Vigilância Sanitária brasileira ter ‘fiscalizado’ as unidades do Brasil entre setembro e outubro do ano passado.

Ao jornal Estado de São Paulo, a decisão é uma retaliação ao governo de Jair Bolsonaro, em função da decisão de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém. Em Davos, o ex-secretário-geral da Liga Árabe (organização que reúne 22 países árabes), Amr Moussa, explicou a decisão. “O mundo árabe está enfurecido (com o Brasil)”.

Contudo, para o presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Rubens Hannun, acredita que os critérios que levaram a Arábia Saudita a descredenciar unidades brasileiras exportadoras de frango foram técnicos. Ao Dinheiro Rural, ele ressalta que desde a Operação Carne Fraca muitos países elevaram o nível de inspeção para a produção brasileira. Para ele, não há uma retaliação em relação às declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre a embaixada brasileira em Israel.

Já a  Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também acredita em fatores técnicos e não ideológicos. A Globo Rural, ABPA afirmou que está em contato com o governo brasileiro para que, em tratativa com o reino da Arábia Saudita, sejam solucionados os eventuais questionamentos e incluídas as demais plantas.

Paraná é o maior produtor nacional

Desde 2015, o Paraná consolidou sua liderança na exportação de frango no país. Foram 1,481 milhão de toneladas exportadas, volume 15,17% maior do que em 2014, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O Paraná representou 34% das exportações brasileiras, que somaram 4,304 milhões de toneladas no ano passado. Impulsionada pelos investimentos das cooperativas agropecuárias, pela integração com o produtor e o bom resultado na exportação, a avicultura paranaense cresce mesmo com a economia nacional encolhendo. Os principais mercados da carne de frango foram Arábia Saudita (22%), União Europeia (13%), China (11%), Japão (9%) e Emirados Árabes (9%).

De acordo com a Globo Rural, “a avicultura paranaense exportou 313,6 mil toneladas de carne de frango no último bimestre de 2018, um recorde para o estado, de acordo com o levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O resultado representa um valor 11,8% maior em relação ao mesmo período de 2017, quando 280,2 mil toneladas foram embarcadas.

Risco de desemprego

Segundo a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, os sauditas alegaram uma questão técnica, sem dar detalhes dos reais motivos da suspensão da licença dos frigoríficos brasileiros. Há a possibilidade de que os saudistas tomaram esta decisão como reserva de mercado, já que eles compraram na França a Adux-Frango Sul e querem abrir mais vagas para a mão de obra local.

O temor dos trabalhadores e trabalhadoras é que os demais países da região do Golfo acompanhem a decisão da Arábia Saudita, o que colocará em risco, o emprego de mais de 240 mil brasileiros que trabalham nos frigoríficos cujas plantas são especializadas no corte Halal, especialmente feito para consumo daqueles países, respeitando a religião do povo árabe.

São 80 mil empregos diretos e outros 160 mil indiretos ameaçados após a suspensão da importação de carne de frango.

– Célio Elias secretário de Saúde da Confederação Democrática Brasileira dos Trabalhadores da Alimentação (Contac-CUT)

“Cada planta tem entre 1.500 a 2.000 mil trabalhadores, contando os granjeiros, os produtores de milho para ração, pequenos agricultores, motoristas de caminhão, além do comércio de 35 cidades brasileiras que dependem economicamente desses frigoríficos, o estrago será muito grande”, afirma o dirigente.

 

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