A população de Curitiba foi às ruas na noite desta terça-feira (26) contra o reajuste da tarifa do transporte coletivo na capital, que passará dos atuais R$ 4,25 para R$ 4,50 a partir de amanhã (28). Além de cobrar o congelamento da passagem, os manifestantes pediram o rompimento do atual contrato entre a prefeitura e as empresas que operam o sistema, algo já indicado por um CPI na Câmara de Vereadores em 2013 e pelo Ministério Público em agosto do ano passado.
Após concentração na Praça Rui Barbosa, uma multidão seguiu em marcha até o Terminal Guadalupe, na área central da cidade. Em ambos os locais, de grande fluxo de usuários do transporte coletivo, integrantes do Movimento de Luta do Transporte Coletivo (MLTC) realizaram uma panfletagem com os usuários que aguardavam os coletivos.
Outra reivindicação dos movimentos presentes foi a reativação do Conselho Municipal de Transporte Coletivo e a abertura das contas da Urbs e das empresas. “Estamos aqui para repudiar esse aumento e também para cobrar a reativação e democratização do Conselho. Todos esses reajustes acontecendo e o conselho não se reúne há dois anos”, apontou Lafayete Neves, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e membro da Plenária Popular do Transporte.
O movimento estudantil teve grande presença no ato e prestou solidariedade aos cobradores do transporte público que estão ameaçados de demissões pelo projeto de lei em trâmite na Câmara de Vereadores que prevê exclusividade do sistema de bilhetagem eletrônica. Falando em nome das várias entidades estudantis, a estudante Mandi Coelho defendeu o passe livre estudantil e um novo modelo de sistema de transporte que não seja restritivo ao acesso à cidade para o jovem trabalhador.
Para André Machado, presidente do PT de Curitiba e integrante da Plenária Popular do Transporte, a população está pagando uma conta que não é dele com esse aumento. Ele questionou o contrato vigente desde 2010. “O atual contrato foi fruto de uma licitação fraudulenta, questionada no ano passado pelo Ministério Público”, comentou.
Luiz Calhau, diretor do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR), destacou que o ato não foi somente pelo congelamento da tarifa, mas também para denunciar o modelo de gestão e a maneira como a prefeitura trata o usuário do transporte coletivo. “É importante a volta do movimento na rua para questionar as obscuridades que cercam esse sistema, as decisões que passam por gabinete e não passam pela população. Queremos saber os detalhes dessa tarifa técnica que passou de R$ 3,76 para R$ 4,79. De onde vem esse valor?”, indagou.
A vereadora Professora Josete (PT) e o deputado estadual Goura (PDT) também se somaram à manifestação. “É importante a população saber que nos últimos três anos esse reajuste da tarifa foi acima da inflação e bem superior ao reajuste que os trabalhadores tiveram em seus salários. O prefeito [Rafael Greca] e o governador [Ratinho Jr] enaltecem o subsídio e afirmam que o aumento será “só de 25 centavos”, porém a tarifa técnica que é paga aos empresários pode chegar R$ 5,20″, comentou Josete.
A vereadora lembrou da votação na última segunda-feira (25) de uma moção de repúdio ao aumento, rejeitada pela maioria da Câmara Municipal. Ela defendeu o congelamento da tarifa e a abertura das contas da Urbs e das empresas do transporte coletivo. “O povo precisa ter acesso à essas planilhas e é isso que o Conselho Municipal deveria estar cobrando. Somente com transparência podemos ter uma tarifa mais justa e acessível à população”, afirmou.
Goura apontou o histórico de problemas envoltos no sistema do transporte coletivo em Curitiba. “O contrato vigente tem uma série de irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado, pela CPI da Câmara em 2013 e pelo Ministério Público, que no ano passado orientou que esse contrato fosse anulado”. Apontando o aumento como abusivo e ilegal, o deputado indagou o governador Ratinho Jr sobre o porquê outras regiões metropolitanas do Paraná – como de Cascavel e Londrina – não foram beneficiadas da mesma forma pelo governo do Estado.
Um novo ato público contra o aumento da tarifa está previsto para acontecer nesta quinta-feira (28), a partir das 17h30, na Praça Rui Barbosa.




