É O FIM?

Presidente convoca manifestação que pode decretar o término de seu governo

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Jair Bolsonaro. Foto: Marcos Corrêa/PR

As manifestações do dia 26 de maio convocadas pelo próprio presidente Jair Bolsonaro (PSL) podem anunciar o começo do fim de seu governo. Tenha o tamanho que tiver, não levará para bons caminhos. Principalmente porque a pauta verdadeira das manifestações defende um golpe nas instituições democráticas, com ataques deliberados contra o Congresso Nacional e o STF. Temendo ser derrubado, Bolsonaro quer mais poder. E quem muito quer, nada tem.

As manifestações são uma resposta há pelo menos três fatores: as mobilizações em torno da educação, a dificuldade de aprovar a reforma da previdência e o cerco que se fecha com as suspeitas de corrupção da família presidencial. O presidente, que vem perdendo apoio dos militares por permitir que seus filhos e aliados os ataquem, recorre a uma militância fanática e extremista para se segurar no cargo.

O primeiro desafio dos bolsonaristas é promover protestos maiores dos que ocorreram em defesa da educação. As explicações do ministro da Educação Abraham Weintraub na Câmara dos Deputados não surtiram efeito e a juventude segue mobilizada contra o governo. Principalmente porque a indignação dos estudantes e comunidade acadêmica não se restringe apenas aos cortes, mas também aos ataques promovidos contra o ensino brasileiro, professores e instituições. Uma nova onda de protestos deve ocorrer no dia 30 de maio com apoio de reitores e, cada vez mais, políticos de todas cores e tendências.

Independentemente do tamanho do protestos, Bolsonaro dá um tiro no pé ao jogar contra o Congresso Nacional e o STF. Os bolsonaristas até podem tentar argumentar que sua ida às ruas é em defesa – da perda de direitos – da reforma da previdência, contra o centrão que não aprova a MP 870 e contra o STF que “passa pano” para a corrupção. Contudo, o que se percebe é que uma “vitória” de Bolsonaro e sua turma significa o enfraquecimento das instituições. O presidente vende seu protesto tupiniquim como antissistema, mesmo ele sendo, junto com seus filhos, parte desse ‘sistemão’.

Ou, como observou o deputado federal Marcelo Freixo, “onde você esteve nos últimos 30 anos, Jair Bolsonaro? No baixo clero da Câmara, no partido de Paulo Maluf sem nunca reclamar da corrupção, elegendo toda a família, querendo legalizar milícia e defendendo o que há de mais podre. Você não é antissistema. Você é o esgoto do sistema”.

O fato é que Bolsonaro se agarra nesse protestos para sobreviver diante da apatia e retrocessos de seu governo. Tanto que ele já é abandonado por companheiros de partido como Janaína Paschoal, aliados como o governador João Dória (PSDB),  empresários do Grupo 200 e até pelo MBL.

O presidente convoca as ruas para apoiá-lo em um cenário em que o desemprego passa dos 13 milhões, a projeção do PIB está em 1,4%, o dólar e a gasolina disparam, a desigualdade aumenta, a fome retorna ao país, a violência aumenta e nada disso está na pauta dos protestos de domingo.

Já não é mais segredo que forças econômicas, sociais e políticas querem a renúncia de Bolsonaro por se tratar do caminho mais curto do que um impeachment. Em São Paulo, lideranças de 10 partidos organizam o “Movimento Diretas Já! Fórum da Democracia”. Ao presidente resta se segurar no cargo com apoio dos “filhos milicianos” e militância fanática, fechando o Congresso Nacional, censurando a imprensa e sufocando a oposição. Resta saber se tem bala na agulha um presidente autoritário sem autoridade.