O ex-juiz e atual ministro da Justiça Sérgio Moro foi à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal explicar sua conduta na operação Lava Jato. A presença do ministro ocorre após reportagens do Intercept Brasil revelarem que o ex-juiz não mantinha a imparcialidade a julgar o ex-presidente Lula. Na última reportagem, o site revelou que Moro blindou FHC de investigação. O atual ministro vem tentando minimizar as denúncias que podem levar Lula a liberdade e até a criação de uma CPMI da Vaza Jato.
O ministro Sérgio Moro iniciou a audiência listando os trabalhos realizados pela Força Tarefa da Lava Jato nos últimos anos e o efeito disso para a Petrobras, com a recuperação de R$ 2 bilhões. Para o ex-juiz, houve a quebra do padrão de corrupção no Brasil. “Não houve conluio. Mas divergência. Há muito sensacionalismo em torno dessa questão”.
O atual ministro reforçou que houve invasão do seu celular e que já foi instaurado inquérito. Ele descreveu ter visto os ataques ocorridos há cerca de um mês. “Eu não uso Telegram desde 2017. Nesse ano eu parei de usar. Não foram clonadas informações. Eu não tenho receio do que existe nesse aparelho”, afirmou. Moro avaliou que “existe um grupo criminoso organizado responsável por esses ataques, afinal, existem um grande número de pessoas que sofreram ataque”. Moro levanta a hipótese de que os hackers simularam conversas recentemente em seu nome. Contudo, as denúncias feitas até agora pelo Intercept não abordam o período em que o ministro supostamente foi clonado, como ele afirma.
Sobre as denúncias, Sérgio Moro reclamou que não foi ouvido pela reportagem do Intercept, violando regras básicas do jornalismo. Disse que foi uma “desculpa de ser censurado”. Contudo, após a primeira reportagem, por diversas vezes o site solicitou a versão do ministro e ele se negou a prestar esclarecimentos. “Tem algumas coisas que me causam estranheza. Ainda que tenha uma coisa verdadeira, essas mensagens podem ter sido adulteradas. Desde o primeiro momento, nós sempre nos referimos como supostas mensagens.Esse veículo não teve a dignidade de de oferecer os dados para que eles sejam examinados para verificar sua autenticidade”, alegou o ministro, colocando dúvidas sobre a seriedade do Intercept Brasil.
O ministro disse que não é incomum que juízes conversem com advogados e promotores. “Isso é absolutamente normal”. Ele citou exemplos processuais em que há conversas entre as partes, contudo, todas elas feitos ao vivo ou nos autos. Moro cita juízes para sustentar sua linha de defesa de que sua atuação não tem nenhum desvio de conduta. Ele conclui que está sendo alvo da disputa política. “Pensei que saindo da magistratura e assumindo o cargo de ministro, esse revanchismo teria acabado. mas eu me enganei”, discursou.
Mentira
Antes de iniciar a sabatina, o senador Humberto Costa (PT/PE) questionou, em questão de ordem, se o ministro seria entrevistado na condição de investigado por conta das denúncias sobre sua atuação. Se assim fosse, Moro não teria obrigação de dizer a verdade e assinar a ata da reunião. Contudo, de acordo com a presidente da CCJ, Simone Tibet, o ministro foi convidado para dar esclarecimentos na condição de convidado e isso não significa que ele vá mentir




