[ sexta-feira, 06 de março de 2026 ]
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Durante a Jornada, Universidade se torna das crianças que vivem da agroecologia

Ciranda Gralha Azul possibilita o direito da criança ao cuidado e educação durante o trabalho das mães na Jornada de Agroecologia

Dobradura, teatro, desenho, massinha, combinado (ops), música, contação de história, acolhimento. Assim está descrita a rotina de atividades na parede da sala do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, localizada no prédio histórico da Universidade Federal do Paraná.

Durante a Jornada de Agroecologia, realizada em Curitiba de 29 de agosto a 01 de setembro, a UFPR recebe, além dos habituais estudantes de graduação, 32 crianças, filhas de trabalhadoras da feira agroecológica, instalada na Praça Santos Andrade.

Os cuidados com formação, alimentação e atendimento dos pequenos são realizados por 15 educadoras que têm como experiência o trabalho nas escolas itinerantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), uma das entidades que organiza a Jornada e tem como bandeira de luta a Reforma Agrária popular e o cultivo de comida sem veneno, agroecológicos.

“Para mim, o mais bonito da Ciranda é esse cuidado na formação. Saber a importância da música, da brincadeira, a importância da infância. A sementinha que a gente planta neles vai germinar”, explica a pedagoga Tatiane Pereira, coordenadora da Frente de Educação Infantil do MST no Paraná, que atua na Escola Latino-Americana de Agroecologia, localizada no Assentamento Contestado, na Lapa.

Ascom/MST

A Ciranda Gralha Azul funciona das 8h às 12h e das 14h às 18h, com intervalo para o almoço, mas as crianças recebem lanche da manhã e lanche da tarde. Iogurte da reforma agrária, frutas e pão com queijo e “salame”, diz o garotinho. As meninas usavam uma tiarinha na cabeça, com enfeites de mãozinhas. Os meninos também. Bola, bambolê, espaço de brinquedos, espaço do soninho, sala ensolarada, dentro da universidade, durante a programação da Jornada.

“É um espaço pedagógico para acolher com equilíbrio entre cuidar e educar. É um ambiente de luta, de formação de militantes”, explica Tatiane. Neste sábado, 31, as crianças da ciranda vão para a praça, acompanhar o cortejo de batucada, o compartilhamento de sementes na mística final da Jornada, e realizar intervenções. Os pequenos militantes serão ativistas em defesa da Amazônia.

Para Tatiane, que coordena as cirandas itinerantes, como a da Jornada, e também as permanentes, nos assentamentos e acampamentos do movimento, esse bonito espaço de luta é importante porque além de assegurar o direito da criança às atividades lúdicas, de lazer e brincadeiras, também assegura o direito da mulher em participar da Jornada. “Mães que só puderam vir trabalhar por conta do espaço da ciranda”, afirma.

Paula Zarth Padilha
Paula Zarth Padilha
Jornalista em Curitiba, mestre em estudos de linguagens pela UTFPR, diretora executiva da Fenaj, diretora de ação para a cidadania do SindijorPR. Trabalha na federação dos bancários e no instituto democracia popular.
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