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Casos de coronavírus se deslocam da região central para bairros periféricos de Curitiba

Sítio Cercado, Umbará, Campo do Santana e Tatuquara são os bairros com mais casos atualmente

A Plataforma PR Contra COVID, coordenada e desenvolvida por pesquisadores da área de planejamento urbano, disponibilizou, na última semana de junho, mapas comparativos que demonstram o deslocamento dos casos de coronavírus pelos bairros de Curitiba.

No mês de abril, de acordo com o monitoramento, a maioria dos casos de COVID concentrava-se em bairros próximos a região central (Batel, Bigorrinho e Água Verde), com taxas variando de 5 a 30 casos a cada 100 mil habitantes, e nos bairros periféricos (Cajuru, Uberaba, Boqueirão, Xaxim e Sitio Cercado). No bairro CIC, as taxas chegaram à pior situação, de 65 casos a cada 100 mil habitantes.

No período até o início de junho, o deslocamento da doença foi para a região norte da capital (Bairro Alto, Bacacheri e Santa Cândida) e com aumento expressivo nas regiões periféricas já atingidas, como no Sítio Cercado, que passou de 25 para 77 casos por 100 mil habitantes, e CIC, que passou de 65 para 133 casos por 100 mil habitantes.

A variação do período na região Sul atingiu índices que variam entre 221% e 1.000% no número de casos de coronavírus, especialmente nos bairros Sítio Cercado, Umbará, Campo do Santana e Tatuquara.

A base das informações é de dados obtidos via Lei de Acesso à Informação, junto à Prefeitura de Curitiba, disponibilizados primeiro no dia 03 de abril de 2020, pela RPC TV, e segundo no dia 03 de junho de 2020, por um manifesto público vinculado à Plataforma, com apoio de entidades da sociedade civil.

Plataforma PR Contra COVID

O Núcleo gestor da Plataforma PR Contra COVID é formado pelas professoras Maria Carolina Maziviero (DAU/UFPR) e Simone Aparecida Polli (DEAAU /UTFPR) e pelos pesquisadores Alexandre Pedrozo (DPG MPPR), Kelly M. C. Mengarda Vasco (Núcleo Curitiba do Observatório das Metrópoles) e Mônica Máximo da Silva (pesquisadora independente).

De acordo com Maria Carolina Maziviero, é importante entender que a iniciativa foi formulada, pensada, desenvolvida e é alimentada com o objetivo de atender alguns pontos centrais, como disponibilizar um painel para consulta de casos, tanto de contaminação quanto de óbitos, incluindo data de registro, por município. A iniciativa também disponibiliza um mapeamento de uma rede de solidariedade, para abrir um canal de comunicação e controle social, e um mapeamento de locais de maior vulnerabilidade, a partir de índices construídos pelo grupo de pesquisadores.

“O mapeamento desse panorama de capacidade de resposta do estado e município com relação às políticas de assistência social e do sistema de saúde, os locais de maior vulnerabilidade, de maior insegurança social nesse momento, tem como objetivo criar subsídio para atuação do poder público, mas também para  que a sociedade civil, possa saber a situação da cidade e fazer pressão no município, influenciando-o a tomar providências para mitigar o impacto do vírus nessas áreas que apresentam maior insegurança social”, explica Maziviero.

A pesquisadora explica que em Curitiba e no Estado do Paraná existe uma dificuldade na obtenção de dados desagregados, de dados diários do isolamento pela menor unidade territorial e com amplitude de dados, para caracterizar gênero, raça, faixa etária, se tem doença prévia. “Esse subsídio que tivemos são retratos estáticos. Não são de hoje. A gente ainda não tem a qualidade de dados que a gente precisaria para monitoramento mais próximo”, explica.

Conteúdo

Além dos mapas com o deslocamento por bairros dos registros de coronavírus entre a população de Curitiba, a Plataforma PR Contra COVID apresenta artigos técnicos e acadêmicos sobre registros em cartório, mapa de ações de solidariedade, dados sobre a cidade de Paranavaí e índices de vulnerabilidade de pessoas em situação de rua em todo o Paraná.

Acesse aqui a análise intraurbana com os mapas de deslocamento do coronavírus por bairros de Curitiba

Acesse aqui a Plataforma PR Contra COVID

Paula Zarth Padilha
Paula Zarth Padilha
Jornalista em Curitiba, mestre em estudos de linguagens pela UTFPR, diretora executiva da Fenaj, diretora de ação para a cidadania do SindijorPR. Trabalha na federação dos bancários e no instituto democracia popular.
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