[ sexta-feira, 06 de março de 2026 ]
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PIBinho de Bolsonaro murcha e fica em apenas 1,1%

Mercado erra novamente a projeção e resultado é o pior do que dois anos anteriores

O PIB de 2019 foi decepcionante. Apenas 1,1%. O resultado é pior do que em 2017 e 2018 e frustra as projeções do mercado financeiro, que sonhou com Produto Interno Bruto chegando a 2,5% no ano. Também desanima o Governo Federal com a desaceleração após um terceiro trimestre positivo. O recuo do PIB ainda mostra que a aprovação da Reforma da Previdência não trouxe o otimismo e crescimento econômico dos que defendiam essa tese.

De acordo com Boletim do IBGE, o PIB fechou o ano em R$ 7,3 trilhões. O resultado de 1,1% é inferior aos dois anos anteriores, quando bateu 1,3% O PIB cresceu 0,5% no 4º trimestre de 2019 na comparação com o trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal). A Indústria e os Serviços apresentaram variação positiva de 0,2% e 0,6%, respectivamente, enquanto a Agropecuária recuou (-0,4%).

Os índices são muito inferiores aos projetados pelo mercado financeiro e Banco Central no começo do ano passado. O boletim Focus, que mede a expectativa dos analistas do mercado, apontava para um crescimento de 2,53% com pico de até 3,13%.

Fonte: Guilherme Magacho

Projeções equivocadas
Para o economista do DIEESE, Fabiano Camargo, o excessivo otimismo dos “especialistas do mercado” não se concretizou. “As expectativas foram se deteriorando ao longo do ano, chegando a ficar abaixo de 1%, mas que passaram a se elevar lentamente após as medidas de estímulo, nem um pouco liberais diga-se de passagem, como a liberação dos recursos do FGTS (principalmente) ou mesmo a redução da taxa de juros”, avalia.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) também jogava o PIB brasileiro para mais do que o dobro da realidade atingida. No relatório Perspectiva Econômica Global, um dos fatores deste crescimento seria justamente a reforma da previdência.

“No Brasil, a reforma do sistema de aposentadorias é um passo essencial para garantir a viabilidade do sistema de segurança social e apoio à justiça pública. É necessário reformar gradualmente a consolidação fiscal para acumular o gasto residual constitucional em
próximos anos”, expôs o Fundo.

O FMI ainda orientou o país a seguir fazendo reformas para voltar a crescer. “Para estimular o potencial de criação, o governo tem que promover ambicioso programa de reforma, que inclui tributárias, cobertura comercial e infraestrutura”, receitou.

As projeções ainda apostaram em dólar a R$ 3,80 no fim de 2019. Atualmente, o dólar está em R$ 4,51. O economista Fabiano Camargo acredita que a receita do mercado e do governo é equivocada.

“Do ponto de vista dos empresários, estes só investem se houver expectativa de vender mais, lucrar mais, só assim vão vender mais e contratar mais trabalhadores. As reformas que foram feitas e as que estão projetadas são recessivas, como exemplo, a própria reforma da previdência que dificulta e inibe o acesso dos trabalhadores aos
benefícios e a renda será reduzida”, crítica.

Murchou
O crescimento do PIB no 4° trimestre de 2019 em relação ao 3° trimestre de 2019 (0,6%), foi menor do que o 3° sobre o 2° trimestre (0,5%). Resultado de uma política econômica não comprometida com a geração de empregos e renda. “Só haveria uma forma de estimular a economia, seria o governo gastando mais, investimento mais, como estão fazendo diversos países mundo afora, porém, infelizmente o que se observa é o contrário, temos um governo com uma pauta extremamente liberal (ultraliberal), de redução de gastos, de cortes de investimentos inclusive em áreas essenciais”, conclui Camargo.

Manoel Ramires
Manoel Ramires
Jornalista, atuou como editor no Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba e é colunista do Brasil de Fato do Paraná. Já publicou Vozes da Consciência (Entrevistas) e Crônicas dos Excluídos. Atua em jornalismo político.
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