Muito antes de a pandemia de Covid-19 resultarem na MP 936, que permite a suspensão de contratos por até 60 dias e a redução de jornada em 25%, 50% e 70% com redução de vencimentos, os trabalhadores brasileiros já estavam tendo prejuízos em suas negociações coletivas.
Ante ao cenário que levou a 1,1 milhão de demissões em março e abril, a classe trabalhadora foi contaminada por reajustes abaixo do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Em abril, 33% dos acordos foram menores do que a inflação. Em março, 14%. Todavia, sem o coronavírus, os acordo coletivos também foram ruins em janeiro (34,1% abaixo da inflação) e em fevereiro (25,7% dos acordos abaixo da inflação). Fevereiro, por outro lado, conseguiu ter 59,5% das negociações com ganho real.
Graças aos sindicatos
Os números são do Caderno de Negociações do DIEESE, na edição 29. Os resultados só não são piores porque “os sindicatos têm conseguido negociar cláusulas que
asseguram ajuda compensatória mensal paga pela empresa para complementar o benefício
do governo. Dessa forma, o trabalhador recebe o equivalente ao salário líquido a que teria direito, se não houvesse a crise”.




