Enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PSL) não sabe se cancloma ou conclama os argentinos, o DEM, a partir dos presidentes Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, vai tocando o país numa espécie de parlamentarismo soft. Nesse FIO DA MEADA vamos ver que a agenda do país vai sendo definida pelos dois, independente dos decretos de Bolsonaro e das trapalhadas do PSL. E com um importante alerta: pelo andar da carruagem desgovernada, a reforma da previdência passa, apesar de Bolsonaro.
NÃO É COMIGO | Bolsonaro parece incentivar o parlamentarismo no país. Principalmente quando diz que a tarefa de aprovar a reforma e os decretos é tarefa do legislativo. Ao dizer que não é seu papel fazer articulação política pela reforma da previdência, os outros presidentes usam do poder que tem e vão ocupando e definindo a agenda nacional.
RECADO DAS RUAS | Aliás, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre entenderam bem o recado das ruas quando foram alvo de protestos Bolsonaristas. Só que ao contrário de Bolsonaro, que quer um bang bang político, eles, astutamente, vão alfinetando o governo nos bastidores e na imprensa.
GOVERNO PARALELO | Ontem (7), o presidente do senado disse à Globo News que “Se o governo não tiver agenda, vamos fazer a nossa. Não vamos ficar esperando”. Ele também criticou as trapalhadas do PSL (veremos mais tarde), que abre espaço para o controle da agenda.

PROVA DE FOGO 1 | A “comprovação” de que quem manda na agenda e no país pode vir de dois decretos: das armas e da CNH. A tendência é que ambos sejam rejeitados na Câmara. Sobre as armas, Alcolumbre disse que “em um momento de tanta fragilidade social, dar liberdade para as pessoas portarem armas não vai ser um episódio bom para o Brasil”.
PROVA DE FOGO 2 | A outra provável derrota da agenda de extrema direita de Bolsonaro é o decreto da CNH que permite transportar crianças sem cadeirinha. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse à jornalista Andréa Sadi que a proposta “Não prevalece, tudo que tratar de segurança, que impactar nisso, não tem chance de prosperar”.

CANETA MAIOR | Bolsonaro, certa vez, disse que sua caneta era maior do que a de Maia. Era uma reação as falas de Maia de que o presidente não tem agenda para o país e que o país caminha para o colapso social. O PSL tirou a canetinha para fora e argumentou que o governo só está começando, de acordo com a líder Joice Hasselmann.
PSL NO RINGUE | O problema é que na agenda do PSL e do governo, todo mundo quer rabiscar. Tanto que uma sessão conjunta do senado e da Câmara teve que ser encerrada após bate-boca entre o senador Major Olímpio e a deputada Joice.
Um dos motivos de um líder ter comentado há pouco no Salão Verde que dificilmente esse governo durará é por este vídeo aqui. Bate-boca entre líderes do PSL escancara racha no partido, Joice e Olimpio, após o PSL desobedecer orientação feita por Joice pic.twitter.com/MQzhpBuPg1
— George Marques (@GeorgMarques) June 5, 2019
PREVIDÊNCIA PASSA | Enquanto a militância e a oposição focam suas baionetas em Bolsonaro, o legislativo toca a reforma da previdência “tranquilamente”. O relatório está marcado para ser entregue até 15 de junho e o presidente Maia disse que a PEC será votada até o fim do mês, o que gera contentamento no mercado financeiro. Resta saber se votam o projeto do executivo ou o substitutivo do centrão.




