[ sexta-feira, 06 de março de 2026 ]
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Após abandonar aumento de ISS e ITBI, Greca quer cobrar IPTU de isentos

Vereadores analisam cobrança de isentos em comissões no dia 8 de agosto após desistiram de elevar impostos para classe média e ricos.

Na próxima terça-feira, duas comissões da Câmara Municipal de Curitiba avaliam mais um projeto do chamado Pacote de Maldades do prefeito Rafael Greca (PMN). É o que trata da desvinculação da taxa de lixo do IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano). De acordo com a Câmara Municipal, “atualmente as duas cobranças vêm na mesma fatura, sendo que imóveis isentos ou imunes do tributo também não pagam a taxa referente à coleta de resíduos”.

Na prática, o prefeito quer cobrar impostos das famílias de baixa renda. A mensagem do prefeito enviada à Câmara Municipal alega que a partir da isenção em 2001, grande parte dos lançamentos (mais de 60%) se encontram numa situação de limitação do valor da taxa de coleta de lixo ou isenção da mesma. “Vemos a necessidade da referida proposta, a qual busca o aumento na arrecadação referente à Taxa de Coleta de Lixo, a fim de reduzir o subsídio a este serviço, bem como a distribuição equitativa das despesas com o serviço de coleta, transporte e destinação final do lixo”, justifica a mensagem.

Recuo do prefeito não aconteceu mesmo com servidores municipais em greve

Com a mudança da Lei Complementar nº 40, de 18 de dezembro de 2001, a Prefeitura de Curitiba busca arrecadar R$ 84 milhões a mais em 2018. O valor saltaria de R$ 136 milhões para R$ 220 milhões. Porém, nesta mesma semana, o prefeito desistiu de aumentar impostos que atingiriam camadas mais elevadas da sociedade. Trata-se do ISS (Imposto Sobre Serviços) e do ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis). Dessa vez, o líder do governo, Pier Petruzzielo (PTB), se solidarizou com o poder aquisitivo dos atingidos pela alta de impostos.

“Durante todo o recesso a base se reuniu com o secretário de Governo, Luiz Fernando Jamur, e com o prefeito Rafael Greca. O prefeito, entendendo a situação [financeira] da cidade, (decidiu) retirar os projetos do ISS e do ITBI. Corríamos o risco de ter profissionais liberais migrando para fora de Curitiba”, destacou.

Pressionado pela construção civil e com a desistência de aumentar impostos para a classe média no ITBI (o projeto previa subir alíquota de 2,4% para 2,7% de imóveis entre R$ 140 mil a R$ 300 mil), a prefeitura deixará de arrecadar R$ 4,1 milhões. “Considerando ainda que, neste período, houve suspensão temporária dos financiamentos de imóveis pelo Programa “Minha Casa Minha Vida”, bem como queda na arrecadação decorrente da crise financeira, o impacto na arrecadação, proveniente da diferença de alíquotas, seria ainda maior”, estimou Greca em mensagem à Câmara. O projeto do ITBI em nenhum momento avançou sobre impostos mais altos para imóveis acima de R$ 300 mil.

projeto do ISS também sofreu pressão de setores liberais como OAB e contabilistas. Com a retirada do projeto, Greca desistiu do “aperfeiçoamento, modernização e ampliação da capacidade de arrecadação do Município, a fim de tornar a Administração Tributária Municipal mais eficiente e célere nos procedimentos de cobrança e julgamento do crédito tributário”. A mensagem não estimava o valor arrecado com a alta de impostos. Por outro lado, de acordo com prestação de contas feitas na Câmara Municipal, o ISS variou de R$ 320 milhões em 2014 para R$ 331 milhões em 2017 apenas no primeiro quadrimestre do ano.

Arrecadação

A Prefeitura de Curitiba, por outro lado, está com os cofres abastecidos desde aprovação do Pacote de Maldades em cima dos servidores públicos. O congelamento de salários, planos de carreira e saque do Instituto de Previdência Municipal de Curitiba (IPMC) abasteceram o caixa de Greca. Esse valor é composto pelo saque de R$ 600 milhões do IPMC, ao não repasse de R$ 780 milhões entre 2016 e 2017 e da estagnação das carreiras: “A aplicação dos planos terá um impacto de R$ 241 milhões na folha de pagamento, o que elevará os gastos para bem próximos do limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal”, justificou Greca.

Manoel Ramires
Manoel Ramires
Jornalista, atuou como editor no Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba e é colunista do Brasil de Fato do Paraná. Já publicou Vozes da Consciência (Entrevistas) e Crônicas dos Excluídos. Atua em jornalismo político.
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