O pré-candidato do PSOL e líder do MTST, Guilherme Boulos, foi entrevistado ontem (7) pelo programa Roda Viva, da TV Cultura. Durante quatro blocos e poucos mais de duas horas, ele se apresentou bastante calmo e coerente nas respostas toda vez que os entrevistadores tentavam colar nele a identidade de candidatura radical à esquerda. Boulos mostrou claramente que o radicalismo no Brasil pertence a Bolsonaro, ao grande capital e ao judiciário, que não abrem mão de seus privilégios. Ele não se rendeu nem quando tentaram expor uma fissura ou “candidatura satélite” sua em relação ao PT. O pré-candidato ainda construiu um mote que soa como música para muitos brasileiros, de esquerda à direita: “É preciso colocar o PMDB na oposição”.
A entrevista ocorreu no mesmo dia em que se completa um mês da prisão de Lula em Curitiba, considerado preso político por Boulos. Com as discussões públicas entre PT e Ciro Gomes (PDT), candidato de centro esquerda mais bem posicionado nas pesquisas com ou sem Lula, a alternativa Boulos parece ser a mais identificada com “a ideia Lula”, que é trazer justiça social e avanços para o povo. O líder do MTST destacou essa semelhança.
“Eu sou o pré-candidato mais jovem da história do país à Presidência da República. E minha companheira de chapa, @GuajajaraSonia, é a primeira indígena a compor uma chapa. Isso é fazer a nova política”.
Para ele, a nova política não passa por políticos tradicionais, mas com a retomada de um pacto com o povo. “O caminho errado é acreditar que os bastidores valem mais do que o diálogo com a população”.
Durante a entrevista, Boulos elencou como adversários dos brasileiros os bancos, o judiciário e a classe política, que detém os privilégios do país e seguem sem perder na crise. Ele questionou porque essas pessoas e a imprensa se posicionam contra quem defende moradia e combate a fome. Disse que o nome disso é solidariedade. P que deveria ser questionado são as verdadeiras regalias do “andar de cima”.
"Não precisa ter passado fome para se solidarizar com quem passa fome e para lutar contra a fome no Brasil. Não precisa não ter teto para estar junto com o sem teto em uma causa tão justa e legítima". Ta aí o seu oclinhos,Guilherme Boulos. 😎#RodaViva #VamosComBoulos pic.twitter.com/Hh9TxpTCcF
— Mídia NINJA (@MidiaNINJA) May 8, 2018
Para Boulos, essa transformação passa pelas reformas. “Temos que fazer uma Reforma Tributária para melhorar o financiamento do Estado brasileiro e governar para as maiorias. E o dinheiro tem que vir de quem hoje não paga nada: os ricaços do país”.
"Hoje quem tem um carro paga IPVA. Quem tem um jatinho, um helicóptero ou um iate, não paga nem R$1 de imposto no Brasil." – Guilherme Boulos no #RodaViva.#VamosComBoulos pic.twitter.com/zNYjsL3duM
— Mídia NINJA (@MidiaNINJA) May 8, 2018
Outra reforma defendida pelo pré-candidato é a do sistema político para que se enfrente “a influência do poder econômico e aumente a representatividade dos parlamentos”. A última grande reforma ataca Moro e seus colegas, segundo Boulos. “Se queremos melhorar o sistema de Justiça, por que não começar pelos privilégios absurdos do próprio Judiciário?”
"Quem é seletivo na aplicação das leis não somos nós, é o estado brasileiro." – Guilherme Boulos no #RodaViva 😎 pic.twitter.com/zfDOYoGjvP
— Mídia NINJA (@MidiaNINJA) May 8, 2018
Bem avaliado
Nas redes sociais, a entrevista foi bem avaliada. Boulos é considerado coerente e preparado para discutir os rumos do país. Para o colega de partido, Ivan Valente, “Boulos acerta em cheio ao destacar a desigualdade social como o principal problema do país”. Já Chico Alencar destacou o baile nos entrevistadores: “alguns entrevistadores não escondem que são devotos do mercado total, da bancocracia, da intocabilidade do sistema”.




