[ sexta-feira, 06 de março de 2026 ]
InícioDESTAQUEFuncionalismo público do Paraná fará vigília para pressionar governadora

Funcionalismo público do Paraná fará vigília para pressionar governadora

Sem reposição salarial há três anos, servidores do Executivo cobram isonomia, uma vez que PLs de outros poderes já foram enviados à Alep

O Fórum das Entidades Sindicais do Paraná (FES) montará um acampamento a partir desta segunda-feira (11) em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba, como forma de pressionar a governadora Cida Borghetti (PP) para o envio à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) de uma mensagem com o projeto de lei prevendo o reajuste da data-base dos servidores paranaenses.

A vigília permanecerá até que o funcionalismo público consiga tirar o compromisso da governadora. Os dirigentes do FES esperam reunir-se nesta segunda-feira (11) com Cida Borghetti e com o secretário da Fazenda José Luiz Bovo. Segundo a entidade, apesar da governadora ter acenado positivamente para a reivindicação, ainda não há garantia alguma em relação a reposição da categoria. Para o funcionalismo, é preciso uma resposta concreta de Cida, uma vez que a lei eleitoral limita a votação do projeto até o dia 6 de julho.

No dia 28 de maio, a governadora encaminhou à Alep uma proposta de emenda à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2019, prevendo o fim do congelamento do reajuste. Apesar da emenda, ainda não há indicativo do índice do reajuste e ela refere-se apenas a reposição de 2019, ficando em aberta ainda a situação dos três anos sem data-base que somam perdas de quase 12%.

A emenda também não garante que o reajuste será pago no ano que vem, uma vez que isso dependerá do comportamento da arrecadação e da evolução com gastos com pessoal.

Os servidores cobram isonomia e argumentam que outros projetos de lei prevendo reajustes para servidores de outros poderes já foram aprovados pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pela Comissão de Finanças da Alep: o PL 297 (dos servidores da Defensoria Pública), o PL 298 (PGE), PL 299 (Ministério Público e Tribunal de Justiça), PL 304 (servidores do Legislativo) e o PL 311 (do Tribunal de Contas).

Na semana passada, os representantes do Fórum fizeram uma série de reuniões com deputados, entre eles o líder do governo na Alep, Pedro Lupion (DEM) e o presidente Ademar Traiano (PSDB). Segundo os servidores, a dupla confirmou que levou à reivindicação à governadora.

Condições financeiras

Segundo o FES, já foi demonstrada a condição financeira, fiscal e legal para a aplicabilidade da data-base para o funcionalismo público como um todo, como determina a Lei 18.493/2015 e 15.512/2007. Em 2017, o governo Beto Richa (PSDB) trabalhou com um cenário econômico pessimista, de poucos recursos financeiros. Porém, a expectativa não se confirmou e a receita ao fim do ano cresceu 13%, R$ 3 bilhões a mais em relação a 2016.

A LOA de 2018, aprovada na Alep, apresentou cenário ainda mais difícil, o que também não representou a verdade. O crescimento de ICMS em 2018 será maior do que o apresentado. Para entender a dinâmica do crescimento da receita em 2018, aponta o FES, é necessário excluir o ICMS extra dos dois períodos.

Dessa forma a arrecadação de ICMS no primeiro quadrimestre apresenta crescimento de 2% e não queda de 9%, como apresentado pelo governo. Esse é um cálculo relevante para a avaliação do comportamento da receita e projeções da atividade econômica para 2018.

Com a confirmação da tendência de crescimento da receita no primeiro quadrimestre no patamar de 2% é possível projetar para este ano um crescimento de 5,5% em relação ao realizado de 2017. A arrecadação, sem o ICMS extra, deverá ser de R$ 2,8 a R$ 3,1 bilhões superiores a previsão que a Sefa fez e está registrado na LOA 2018.

Júlio Carignano
Júlio Carignano
Jornalista, atua na imprensa desde 2002 em Cascavel e atualmente em Curitiba. É diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR).
MAIS DO AUTOR

Leia também