[ sexta-feira, 06 de março de 2026 ]
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Em manobra, vereadores aprovam reajuste de 3% e descartam proposta de 9,48% solicitada pelos servidores

Novo projeto foi apresentado faltando quatro minutos para início da sessão, excluindo emendas da oposição

O prefeito Rafael Greca (PMN) apresentou um substitutivo (novo projeto) na manhã de hoje (26) sobre o reajuste dos servidores municipais. Esse texto manteve o percentual de 3%, mas excluiu as emendas que elevavam o índice para 9,48% e retornavam para março a data-base para as mesas de negociação. A manobra foi criticada pela oposição que, agora tem até o segundo turno (dia 27) para coletar 13 assinaturas e incluir na pauta novamente o índice solicitado pelos trabalhadores. O substitutivo foi aprovado por 27 votos contra 10.

O reajuste dos trabalhadores é retroativo a 31 de outubro de 2018. Ele aborda o período entre setembro de 2017 a setembro 2018. Ele abrange os servidores da ativa e inativa. Os secretários, vereadores e prefeitos não estão incluídos nessa lei.

Manobra
A vereadora professora Josete (PT) havia apresentado a emenda com o percentual de 9,48%. Ela baseou esse índice entre o período de março de 2017 a setembro de 2018, período em que os salários ficaram congelados. O último reajuste ocorreu em março de 2016, ainda no governo de Gustavo Fruet (PDT).

Josete protestou contra a manobra: “Quando é apresentada às 08h56, as emendas são descartadas, bem como todo o debate feito nas comissões, é um prejuízo para o debate”, cobrou.

Vereadora Professora Josete. Foto: Chico Camargo/CMC

O vereador Goura (PDT) solicitou o adiamento da sessão por um dia para que as emendas fossem protocoladas ao substitutivo. Esse texto altera palavras técnicas, mas inviabilizam os pedidos da oposição. Além disso, coíbe a categoria de solicitar no futuro as perdas inflacionárias com o congelamento de salários.

Já a vereadora Noêmia Rocha (MDB) protestou contra a data de outubro para ser aprovado a reposição salarial. Para ela, os trabalhadores correm o risco de ficar sem reajuste no ano que vem. “Na minha leitura, o ano eleitoral de 2020 abrange os meses de outubro, novembro e dezembro de 2019. De acordo com a lei Federal, isso pode proibir reajuste no futuro”. Noêmia também recordou que a cidade de Curitiba teve aumento milionário na arrecadação. Ela comenta que Curitiba destina 42% do orçamento com servidores, sendo que a LRF define 51% como limite prudencial. “É possível sim dar o reajuste salarial inflacionário. Eu não sei porque esse executivo criminaliza os servidores que se dedicam tanto a cidade”.

Já o professor Euller (PSD) apresentou números para justificar que o prefeito Rafael Greca tinha condições de conceder reajuste sem colocar em risco as contas do município. Para ele, o índice poderia chegar a 4,82%, representando R$ 50 milhões a mais nas contas do prefeito. “O prefeito falou na CMC que Curitiba não tem mais dívidas e eu entendo que a cidade tem condições de um reajuste e há espaço para isso”, defendeu Euller.

Nenhum governista defendeu em plenário o índice de 3% aprovado por 27 votos.

Interdito proibitório
No calor do debate, o presidente Sérgio do Posto (PSDB) suspendeu o debate para uma reunião com todos os vereadores. No entanto, a paralisação ocorreu para que o legislativo debatesse o interdito proibitório que limitava a manifestação dos servidores sob pena de multa de 50 mil reais. O pedido foi solicitado pela Câmara Municipal, limitando a dois membros por sindicato no plenário e apenas 25 pessoas nas galerias. O interdito ainda proibia “turba”, sem definir os limites. As galerias foram liberadas pelo Corpo dos Bombeiros após interdição realizada em 2017.

Manoel Ramires
Manoel Ramires
Jornalista, atuou como editor no Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba e é colunista do Brasil de Fato do Paraná. Já publicou Vozes da Consciência (Entrevistas) e Crônicas dos Excluídos. Atua em jornalismo político.
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