[ sexta-feira, 06 de março de 2026 ]
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Ministro Moro não mostra nenhuma conversa com advogados de defesa

Sobre FHC, ele disse que não era juiz do caso

“Não houve quebra da imparcialidade”. Essa foi a resposta do ministro Sérgio Moro sobre seus diálogos com os procuradores da Lava Jato. Ele insistiu que a sua conduta foi legal. Contudo, em nenhum momento mostrou exemplo próprio de que ele tenha mantido diálogos com advogados de defesa durante a operação. Todas as menções feitas pelo ex-juiz são casos genéricos ocorridos com outros magistrados.

Sérgio Moro negou que tivesse irregularidade em suas ações enquanto juiz. “Eu sempre agi conforme a lei”, se defendeu. Era uma resposta a cobrança de que ele não agiu da mesma maneira nas conversas reveladas com procuradores e advogados.

Em nota dos advogados Lula, eles afirmam que é estarrecedor constatar que o juiz da causa tenha orientado a desconstruir a atuação da defesa técnica do ex-Presidente e a própria defesa pessoal por ele realizada durante seu interrogatório (10/05/2017). “Tais fatos, públicos e notórios, reforçam o que sempre defendemos nos processos e no comunicado encaminhado em julho de 2016 ao Comitê de Direitos Humanos da ONU: Lula é vítima de “lawfare” e o ataque aos seus advogados é uma das táticas utilizadas para essa prática nefasta”.

Já o senador Rogério Carvalho (PT/SE) disse que outras denúncias devem vir à tona e suspeitou da relação do ministro Sérgio Moro com membros do TRF-4 como a coincidência de a condenação do ex-presidente Lula ser ampliada de forma que ele ficasse preso. O senador também questionou a atuação do ex-juiz na época em que ele estava em Portugal e foi concedida a liberdade ao ex-presidente Lula.

“O senhor conversou com alguém delegado da polícia federal ou desembargador para que Lula não fosse solto por meio de habeas corpus. O senhor conversou com integrante da lava jato e comentou que a liminar seria revertida? O senhor se sentiu frustrado com a decisão de que Lula seria solto e isso foi comentado nas conversas?”. O senador afirmou que Moro não tem isenção no processo e que procurou empresa de midia trainning para enfrentar a CCJ.

Moro negou a midia trainnig e disse que o senador fez acusações fortes e pesadas contra o TRF-4. “Eu sempre conduzi a minha atuação de forma imparcial. Sobre a dosimetria da pena, o senhor está fantasiando. Talvez tenha lido em blogs e tirando conclusões precipitadas. Eu nunca conversei sobre dosimetria de pena envolvendo qualquer réu. Eu não tive nenhuma interferência. Zero”, afirmou.

Em seguida, o senador Humberto Costa (PT/PE) cobrou seriedade do ministro Sérgio Moro. “O senhor fala de sensacionalismo, mas não há maior do que as operações realizadas pela Operação Lava jato a vazar operações para a imprensa”, cobrou. O senador lembrou que o jornalista Gleen Greenwald é um jornalista premiado em todo mundo e que as reportagens são séria. Humberto ainda voltou a dizer que Moro deve pedir ao procurador Deltan Dallagnol que entregue seus celulares para perícia. O senador ainda criticou o fato de Moro blindar o ex-presidente FHC e perguntou se lembrava desse fato. “Não é possível que vossa excelência não se lembre desse fato”, ironizou. O petista ainda listou casos em que faltou imparcialidade de Moro.

A Humberto Costa, o ministro disse que está tranquilo de sua conduta enquanto juiz porque agiu de forma imparcial na Lava Jato. Sobre as “supostas mensagens” com relação a FHC, ele não viu nada de bombástico nas matérias. “Eu não posso afirmar as autenticidades, pois eu não tenho mais elas. No caso do ex-presidente, o caso não era meu e nunca passou por minhas mãos. Houve um acordo de colaboração e o depoimento foi encaminhado à São Paulo. Como eu ia interferir”, justificou. Para Moro, a Lava Jato atingiu vários partidos e de forma severa.

Na tréplica, Humberto diz que a “resposta piora, pois ele foi opinar em um processo que nem era dele. Eu entendi porque FHC disse que isso era uma tempestade em copo d´água. Ele estava blindado”. O senador afirmou que Moro se deixou encantar pela fama e enganou milhões de brasileiros. O petista ainda pediu que o ministro peça exoneração do cargo.

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Manoel Ramires
Manoel Ramires
Jornalista, atuou como editor no Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba e é colunista do Brasil de Fato do Paraná. Já publicou Vozes da Consciência (Entrevistas) e Crônicas dos Excluídos. Atua em jornalismo político.
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