[ sexta-feira, 06 de março de 2026 ]
InícioDESTAQUEGoverno Ratinho Junior prorroga prazo de recadastramento, mas MP alerta para caos...

Governo Ratinho Junior prorroga prazo de recadastramento, mas MP alerta para caos social

Entidades denunciam manutenção de prática antissindical

No dia 27 de janeiro de 2020, o Governo do Paraná admitiu falhas no processo de recadastramento dos servidores civis e militares estaduais, ativos e inativos, bem como os pensionistas de geradores de pensão dos Órgãos da Administração Direta, Autárquica e de Regime Especial do Poder Executivo. Mesmo assim, na reunião com sindicatos, associações e Ministério Público do Trabalho, os representantes do governador Ratinho Junior (PSD), sinalizaram com a prorrogação do prazo até 10 de março em decreto que pode ser publicado nesta terça-feira. Medida considerada arbitrária pelas entidades que pedem a revogação do Decreto 3808/2020 ou sua imediata suspensão. Já o MPT sugeriu prorrogação por 12 meses.

A ampliação do prazo não atende as expectativas das associações e sindicatos. Eles seguem vendo na atitude do governo uma prática antissindical. Para o Fórum das Entidades Sindicais (FES), a medida visa promover uma desfiliação em massa, uma vez que obriga os servidores e confirmarem que estão sindicalizados e sugere o fim do desconto em folha.

“Nós entregamos ao governo nossas 250 mil fichas de filiação com os servidores confirmando que querem estar sindicalizados. Eles já passaram por esse processo e o governo está desrespeitando a decisão soberana das pessoas. Vimos isso como improbidade administrativa, pois há uma tentativa de desfiliação compulsória”, critica Marlei Fernandes, do FES.

O governo do estado sustenta o recadastramento na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD ou LGPDP), Lei nº 13.709/2018. Para o governo, esses dados não estão sendo corretamente protegidos. Contudo, a lei só passa a vigorar em 14 de agosto de 2020. Por outro lado, um projeto de lei do deputado Carlos Bezerra (MDB/MT) solicita a prorrogação desse prazo para 15 de agosto de 2022, O projeto aguarda parecer na Comissão de Constituição e Justiça da (CCJ) da Câmara dos Deputados.

Enquanto o impasse persiste, o procurador do trabalho, Alberto Emiliano de Oliveira Neto, alerta para o risco de caos social. Sem acordo sobre os trabalhos e com a ausência do controlador geral do estado, Raul Clei Coccaro Siqueira, nesta reunião, um novo encontro foi agendado para a sexta-feira (6). “O risco de acontecer uma desassistência em massa é muito grande se for mantida a interrupção abrupta do desconto em folha”, alerta o procurador.

Protesto

Os sindicatos foram à Assembleia Legislativa do Paraná na tarde de hoje (3), na reabertura do ano legislativo. Aos deputados, eles entregaram uma carta relatando as práticas antissindicais e solicitando intervenção contra o decreto.

Ratinho Junior obriga gestante a fazer recadastramento para não perder plano de saúde

Manoel Ramires
Manoel Ramires
Jornalista, atuou como editor no Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba e é colunista do Brasil de Fato do Paraná. Já publicou Vozes da Consciência (Entrevistas) e Crônicas dos Excluídos. Atua em jornalismo político.
MAIS DO AUTOR

Leia também