[ domingo, 07 de junho de 2026 ]
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Pandemia reduz estimativa de vida dos brasileiros

Governo deveria ampliar a proteção social ao invés de lamentar a longevidade da população

Após a Reforma da Previdência que aumentou o tempo de contribuição dos brasileiros, a pandemia de Covid-19 tem mudado o panorama da expectativa de vida no país. Isso porque as principais vítimas fatais do coronavírus são idosos. É o que aponta a nota técnica do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP). O  estudo surge após o ministro da Economia, Paulo Guedes, se queixar de que a população quer viver até os 100 anos e de que isso seria um problema.

O estudo cita a EC 103/2019 que trazia entre suas justificativas “o veloz processo de envelhecimento da população” que exigem “a revisão das regras previdenciárias que escolhemos no passado”, argumentou o ministro da economia. O país saltou de uma expectativa de 45,5 anos na década de 1940 para 76,3 anos no levantamento de 2018. A emenda veio para extinguir a aposentadoria por tempo de contribuição e adotou novas faixas etárias.

Agora, com a pandemia, o cenário no país já é outro, segundo o IBDP, ao analisar dados do IBGE. “A redução foi de quase dois anos e, com o avanço da pandemia, a situação tende a ser mais vigorosa”. Para o Instituto, o momento ainda traz outro caráter perverso da reforma da previdência e do atual governo: a falta de políticas sociais.

“Com elevados índices de óbitos e de cidadãos adoecidos, seria o momento de intensificar ações na área social – e não restringi-las, com vistas a reduzir os efeitos causados pelo vírus”, sustenta a nota técnica.

A análise, que é assinada pelo advogado e especialista em previdência, Antonio Bazilio Floriani Neto, sugere que seria “o momento de alargar a proteção social justamente para obter melhores resultados no mercado de trabalho e, de modo geral, na economia. 

Manoel Ramires
Manoel Ramires
Jornalista, atuou como editor no Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba e é colunista do Brasil de Fato do Paraná. Já publicou Vozes da Consciência (Entrevistas) e Crônicas dos Excluídos. Atua em jornalismo político.
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