[ sexta-feira, 06 de março de 2026 ]
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“Kit gay” volta a circular no submundo do Whatsapp

Criança é exposta em vídeo para sugerir que livro foi utilizado na rede de ensino

Na reta final da campanha do segundo turno, um vídeo sobre o “kit gay” voltou a circular nos grupos de Whatsapp, mesmo após a proibição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reconhecendo que o livro “Aparelho Sexual e cia” jamais foi utilizado na rede pública de ensino.

No vídeo, é exposta a imagem de uma menina que está com uniforme escolar. A mulher que narra o vídeo afirma que “pra quem achou que era mentira, o filho de um senhor recebeu no colégio a cartilha”. Em seguida, o livro é folheado pelos adultos que manuseiam o livro. No entanto, na descrição, o nome do colégio não é mencionado em nenhum momento.

O livro é o mesmo que o candidato de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) apresentou no Jornal Nacional e que o TSE proibiu a menção sobre ele, uma vez que a obra jamais foi utilizada na rede municipal de ensino. A decisão foi tomada pelo ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Carlos Horbach, que determinou a suspensão de links de sites e redes sociais com a expressão “kit gay” em 16 de outubro de 2018.

“Nesse quadro, entendem comprovada a difusão de fato sabidamente inverídico, pelo candidato representado e por seus apoiadores, em diversas postagens efetuadas em redes sociais, requerendo liminarmente a remoção de conteúdo. Assim, a difusão da informação equivocada de que o livro em questão teria sido distribuído pelo MEC… gera desinformação no período eleitoral, com prejuízo ao debate político”, argumentou o ministro do TSE.

À época, o candidato Fernando Haddad (PT) já havia criticado a estratégia de disseminação de fake news. “Vocês sabem que meu adversário me acusa, por exemplo, nas redes sociais de distribuir material impróprio pra crianças de 6 anos. Em primeiro lugar, isso nunca aconteceu. E, em segundo lugar, é um desrespeito às professoras do Brasil. Imagina se uma professora vai receber um material impróprio pra criança de 6 anos sobre sexualidade e ela vai usar esse material sem questionar”, esclareceu.

Novo vídeo circulando no Whatapp sugere livro, mas não informa em que escola foi utilizado. Foto: Reprodução

Não é apenas no Whatsapp que Bolsonaro e seus apoiadores estão novamente utilizando o chamado “kit gay”. Na noite de quarta-feira (24), em uma inserção de 30 segundos na TV, o capitão da reserva associa a Haddad a veiculação de um filme com “beijo lésbico” para “criancinhas de 6 anos em escola”. O material faria parte do inexistente “kit gay”.

Bolsonaro já havia tentado censurar a imprensa sobre notícias informando que ele não poderia mencionar o livro. De acordo com a campanha de Haddad, “o juiz Luis Felipe Salomão negou o pedido de sua campanha de calar o jornalismo brasileiro ao pedir a impugnação de sites como o Último Segundo, o Congresso em Focoe a Folha de S.Paulo. Na versão dos censores de Bolsonaro, ao simplesmente noticiar a verdade sobre uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral, esses veículos estariam proliferando desrespeitosa notícia falsa acerca do tema”.

Manoel Ramires
Manoel Ramires
Jornalista, atuou como editor no Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba e é colunista do Brasil de Fato do Paraná. Já publicou Vozes da Consciência (Entrevistas) e Crônicas dos Excluídos. Atua em jornalismo político.
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