[ sexta-feira, 06 de março de 2026 ]
InícioDESTAQUECuritiba terá novo confronto entre servidores municipais e vereadores na segunda-feira?

Curitiba terá novo confronto entre servidores municipais e vereadores na segunda-feira?

Projeto deve ser aprovado com bastante folga e sem a mesma resistência de 2017

Desde que assumiu, a relação do prefeito Rafael Greca (PMN) não é das melhores com os servidores municipais. O gestor escolheu investir os recursos da cidade para asfalto e ações em zeladoria. Parte das verbas para essas políticas saíram do congelamento dos vencimentos e carreira do funcionalismo. Com o chamado “Pacote de Maldades”, também conhecido como “Plano de Recuperação”, Greca empurrou para a Câmara Municipal a tarefa de subir impostos, aumentar alíquotas dos trabalhadores na sua previdência e instituto de saúde. Essa relação, que não teve mediação do Executivo, acirrou os ânimos em 2017 com ocupações do Palácio Rio Branco, greves, uso de força policial e votação dos projetos na Ópera de Arame. Há, portanto, uma fissura entre sindicatos, legislativo e executivo, sendo que o prefeito e os governistas sempre questionam a legitimidade das entidades (eleitas também) sindicais.

Essa disputa é novamente colocada em cheque na próxima segunda-feira, 26. Nessa data vai à plenário o reajuste dos trabalhadores, congelado desde 2016. Portanto, há 31 meses. Na mensagem enviada aos vereadores, o prefeito considera parte desse período, mas acaba oferecendo apenas 3% de reajuste. “ A concessão de reajuste salarial aos servidores municipais, com a proposição de um índice que não oferece riscos ao saneamento das contas públicas que vêm sendo efetivados nesses 22 meses de Gestão”, explica o prefeito, omitindo que o reajuste que ocorreria em 2017 também devia contabilizar os meses de 2016, quando ocorreu a última reposição.

Já os sindicalistas querem receber pelo período integral que estão com salários defasados. O que dá, na conta do DIEESE, quase 10%. Para isso, com o intermédio dos vereadores da oposição, especialmente a professora Josete (PT), apresentam emendas para atingir esse percentual.  Os representantes dos trabalhadores ainda tentam combater a terceirização via contratação por PSS (Processo Simplificado) e a extinção da licença-prêmio.

Embate

Alguns fatos novos no último ano devem mediar a relação entre os vereadores, Greca e os servidores. O primeiro deles trata da mudança na representação dos trabalhadores. O Sismuc trocou completamente sua direção. O novo grupo que assumiu está atrelado à direção do Sismmac, que é o sindicato do magistério. Com o discurso de união e mobilização das entidades, saiu a CUT e a Intersindical conquistou hegemonia em Curitiba. Agora o desafio é levar trabalhadores e trabalhadoras para as ruas em defesa de um reajuste maior. Uma adesão baixa a paralisação convocada por ambas entidades é sinal de que o discurso eleitoral de “abandono da base” era apenas retórica e que outros fatores são responsáveis pelo distanciamento da categoria da luta.

Sindicatos se reuniram com secretários para discutir índice final de 3%. Foto: Chico Camargo/CMC

Ao contrário de 2017, os dirigentes sindicais se reuniram com os gestores municipais, com os secretários e tiveram mesas de negociação com os vereadores. Houve menos barulho e reuniões. Tanto que a Câmara Municipal não deve organizar esquema de segurança especial para aprovar o projeto em primeiro turno.

Já o prefeito Rafael Greca deve consolidar sua força no município. A votação sequer chega a ser um teste para sua liderança. Esse embate pode vir a acontecer na votação da bilhetagem eletrônica, que pode demitir os cobradores da cidade. Greca ainda pode ter ao seu favor a votação da mesa diretora da Câmara Municipal e a escolha do líder do governo para 2019. Com esse cenário, é bem possível que o prefeito tenha aliados ferrenhos em nome dos 3%.

Previsão
Com a base consolidada e sem oposição numerosa, sem os embates do ano passado e com a categoria não mobilizada e unificada como prometeram  direções sindicais, o projeto do reajuste deve ser aprovado na Câmara Municipal na segunda-feira. As perdas salariais devem entrar na conta das “perdas históricas” a serem debatidas em um governo mais progressista ou quando Greca precisar dos servidores públicos para se reeleger.

Manoel Ramires
Manoel Ramires
Jornalista, atuou como editor no Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba e é colunista do Brasil de Fato do Paraná. Já publicou Vozes da Consciência (Entrevistas) e Crônicas dos Excluídos. Atua em jornalismo político.
MAIS DO AUTOR

Leia também