[ sábado, 07 de março de 2026 ]
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Moradores da Ocupação 29 de Março denunciam novas ameaças recebidas em ações policiais no local

“Pode passar e boa sorte lá em cima porque hoje vai dar tiroteio, ninguém vai dormir”. Esse é um dos relatos em áudio que circularam por grupos de whatsapp de moradores das Ocupações 29 de Março, Nova Primavera, Tiradentes e Dona Cida na noite de 06 de janeiro. A moradora estava chegando do trabalho e teria encontrado a presença de policiais na entrada das ocupações, quando perguntou se poderia passar.

O áudio circulou junto a diversos outros, em que os moradores se organizavam e convocavam as famílias para permanecerem nas ruas naquela noite. “Falaram que hoje à noite o bicho ia pegar de novo. Da outra vez eles falaram, não botamos muita fé e eles vieram e fizeram mesmo”, disse outro morador, reafirmando a importância que todos se unissem.

Os moradores das ocupações localizadas no bairro Cidade Industrial de Curitiba (CIC) também mencionaram acreditar que a polícia militar não poderia estar circulando lá na área das ocupações. “Eles não poderiam estar aqui, porque dentro da ocupação têm pessoas que foram agredidas, torturadas. É o tempo todo viaturas da Rotam circulando e tirando fotos”.

As ações policiais não foram somente na noite de 06 de janeiro. Na última quinta-feira, 10 de janeiro, alguns vídeos mostram a presença de três viaturas na rua Estrada Velha Barigui, que corta as ocupações. Os policiais andavam com as janelas abertas e celulares filmando em punho. Outro episódio que aconteceu na mesma data foi a presença de um carro preto sedan descaracterizado parado na rua que corta a nova 29 de Março, onde as casas dos moradores vítimas do incêndio de 07 de dezembro começam a ser reconstruídas.

Em um dos vídeos, dois policiais que estavam junto ao carro preto vestiam coletes da PM e diziam aos moradores que estavam ali para ver como estava a reconstrução da área, mas o carro estragou. Em todas as imagens que mostravam conversas entre a população e os policiais, os moradores relatavam que os policiais eram bem-vindos, “mas nós vamos filmar e fotografar, foi recomendação da doutora”.

Desde a noite do incêndio, diversas organizações da sociedade civil, incluindo a de advogados populares, auxilia as vítimas da Ocupação 29 de Março. Os moradores também contam com a atuação do Ministério Público do Paraná (MP-PR), da Defensoria Pública do Paraná e da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Paraná. Esses órgãos oficiais acompanham de perto a situação dos moradores das quatro ocupações, enquanto eles contam com o apoio de voluntários para a reconstrução das casas.

Em nota oficial enviada à Rádio Banda B, a PM afirmou que a viatura descaracterizada estava no local para verificar a abertura de uma rua na ocupação 29 de Março e que isso era parte dos procedimentos do batalhão.

Os moradores denunciam que nos limites da ocupação, especialmente onde começa o asfalto, são frequentemente humilhados pela PM, com enquadramento, ameaças, perseguição.

Paula Zarth Padilha
Paula Zarth Padilha
Jornalista em Curitiba, mestre em estudos de linguagens pela UTFPR, diretora executiva da Fenaj, diretora de ação para a cidadania do SindijorPR. Trabalha na federação dos bancários e no instituto democracia popular.
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