[ sexta-feira, 06 de março de 2026 ]
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Bolsonaro dá metade do orçamento de 2020 para os ricos

LOA prevê R$ 1,9 trilhão para pagamento da dívida pública

O mercado financeiro não tem o que reclamar do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro (sem partido). Pouco importa seus ataques às minorias, à imprensa ou a forma como protege aliados e filho de acusações de corrupção. O importante é que ele vai destinar aos ricos nada mais do que 50,7% de todo o orçamento para 2020. Maior percentual entre os últimos presidentes.

De acordo com a LOA, o pagamento da dívida pública, que soma rolagem, juros, amortizações e despesas financeiras vai atingir R$ 1,92 trilhão em 2020. Mais da metade de R$ 3,6 bilhões destinadas para o ano. Para se ter ideia do índice, em 2013, no governo de Dilma Rousseff (PT), o orçamento executado pela União em todas as áreas chegou a R$ 1,7 trilhão, segundo o Sistema Siga Brasil, do Senado.

O percentual de Bolsonaro destinado ao mercado é muito superior a Dilma e Michel Temer (MDB). Em 2018, o presidente destinou R$ 1,06 trilhão para a dívida pública, o que representava 40,66% do orçamento. Em 2017, o percentual foi de 39,7%. Já em 2016, 43,94%. Em 2015, os recursos para dívida foram de 42,43% em um orçamento total de R$ 2,26 trilhões.

A tendência pró-mercado já havia acontecido no primeiro ano de Bolsonaro. Ele destinou R$ 997 bilhões ao pagamento da dívida pública, segundo o site “Auditoria Cidadã”. Para Maria Lucia Fattorelli, Coordenadora Nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, a crise econômica foi fabricada para expandir o mercado e retirar direitos sociais.

Ela lembra que a Emenda Constitucional 95/2016, a “PEC do Fim do Mundo”, estabeleceu teto de gastos somente para as despesas primárias, deixando fora do teto os gastos financeiros com a chamada dívida pública e com as empresas criadas para operar o esquema da “Securitização de Créditos Públicos”.

Não foram os gastos sociais ou os gastos com a manutenção do Estado que produziram a crise, mas esses têm sido o alvo das medidas adotadas para contorná-la. É incontestável o tremendo privilégio do Sistema da Dívida, que tem transformado o Estado brasileiro em um instrumento a serviço do poder financeiro transnacional, às custas do atraso de nosso próprio desenvolvimento socioeconômico”, avalia Fattoreli.

Manoel Ramires
Manoel Ramires
Jornalista, atuou como editor no Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba e é colunista do Brasil de Fato do Paraná. Já publicou Vozes da Consciência (Entrevistas) e Crônicas dos Excluídos. Atua em jornalismo político.
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