[ sexta-feira, 06 de março de 2026 ]
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Greca gasta mais com UPA terceirizada

Coletivo Sismuc Somos Nós questiona despesas com insumos e pessoal

O Coletivo Sismuc Somos teve acesso a um documento oficial que questiona o desperdício de dinheiro público. Trata-se do valor gasto pelo prefeito Rafael Greca (DEM) com a terceirização da UPA CIC no ano de 2020. Para o coletivo, a terceirização transfere recursos públicos para interesses privados, burla a lei de responsabilidade fiscal e ainda dificulta a fiscalização e a transparência na gestão. 

Os gastos com serviços na UPA administrada pela Organização Social desde 2019 é 12 vezes maior quando comparada com a UPA Tatuquara, que é administrada pela FEAS. Já as despesas com insumos é 2,5 vezes maior. Enquanto que o pagamento dos profissionais é 3 vezes menor em comparação às UPAs não terceirizadas, aponta o relatório. Enquanto a UPA Tatuquara destinou apenas R$ 976 mil para insumos, a UPA CIC saltou para R$, 2,3 milhões. 

Outra diferença que chama atenção é o relativo a gastos com pessoal. A UPA Tatuquara anotou R$ 17,3 milhões enquanto que a UPA administrada pela Organização Social Instituto Nacional Ciências da Saúde (INCS) só contabilizou R$ 5,4 milhões.

UPA TATUQUARA (FEAS)
Insumos: 976 mil
Recursos Humanos: 17,3 milhões
Serviços: 763 mil
Total: 19,09 milhões

UPA CIC (TERCEIRIZADA)
Insumos: 2,3 milhões
Recursos Humanos: 5,4 milhões
Serviços: 11,5 milhões
Total: 19,31 milhões

Comparativo de gastos das duas Unidades de Pronto Atendimento

A prestação de contas foi feita à Comissão de Orçamento e Finanças do Conselho Municipal de Saúde de Curitiba e demonstra qual é o objetivo da terceirização: economizar com pessoal e arrecadar com produtos, em uma diferença que derruba a qualidade do atendimento.

“O fato é que nada explica, ao meu ver, um gasto 15 x maior com contratação de serviços do que o realizado pela Fundação. Esse número é alarmante e necessita de maiores explicações”, diz o documento que o Coletivo Sismuc Somos Nós apresenta.

O valor final das Unidades de Pronto Atendimento é semelhante, com uma pequena economia para a UPA administrada pela FEAS. Mas, para o Coletivo, “fica evidente um investimento 3 x maior da UPA Tatuquara em recursos humanos, o que, sem sombras de dúvidas, atrai os melhores profissionais, afinal são mais bem remunerados. A diferença trouxe menos economicidade e menor qualidade no atendimento à população na UPA terceirizada”, conclui o documento.

Investigação

A UPA CIC está homologada desde o começo de 2020. O novo modelo de gerenciamento da UPA CIC completou um ano de funcionamento no dia 16 de agosto de 2019. Ao comemorar os resultados, a secretária municipal de Saúde, Márcia Huçulak disse que o novo modelo trouxe celeridade para contração de funcionários, serviços e compra de materiais e de insumos na unidade. 

“O modelo da OS é uma inovação importante para a rede de urgência e emergência de Curitiba, pois traz agilidade, com menos custos e a mesma qualidade”, diz a secretária da Saúde no começo do ano passado. Informação questionada pelo relatório.

No ano passado, o Ministério Público do Paraná abriu investigação em junho  para “apurar o processo de terceirização da gestão de Unidades de Pronto Atendimento (UPA) em Curitiba”, após denúncia de um vereador.

Manoel Ramires
Manoel Ramires
Jornalista, atuou como editor no Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba e é colunista do Brasil de Fato do Paraná. Já publicou Vozes da Consciência (Entrevistas) e Crônicas dos Excluídos. Atua em jornalismo político.
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