O Governo Bolsonaro está internado na UTI após dois dias de depoimentos dos ex-ministros da saúde, Henrique Mandetta e Nelso Teich à Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19. E a paciência do brasileiro vai se esgotando na medida em que são revelados que o presidente estimulou o uso da cloroquina, inclusive querendo editar decreto burlando posologia de tratamento, sabotou as medidas de isolamento e ignorou os alertas de gravidade da pandemia. A situação se agrava na medida em que os governistas erram a dosagem das perguntas e se atrapalham na estratégia de minimizar danos.
A internação do governo foi decretada quando o ex-ministro Mandetta foi confirmando as suspeitas de que o presidente simplesmente ignorava as recomendações científicas e ouvia apenas o ministério paralelo, comandado por seu filho, Carlos Bolsonaro. O ponto alto do ex-ministro, que fui suas tentativas de conter a pandemia sendo sabotadas, foi a leitura da carta endereçada ao “Capitão Cloroquina” sobre os riscos da pandemia.
Menos claro, mas igualmente grave foi o depoimento de Nelson Teich, que substituiu Mandetta. Ele explicou que a saída do ministério se deveu ao fato de o presidente querer impor a hidroxicloroquina e o tratamento precoce como remédio alternativo ao isolamento social. Para piorar, no mesmo dia, o presidente voltou a reforçar a recomendação de remédios que colocam a vida de pessoas em risco. O estrago é maior quando senadores governistas tentaram sugerir que receitar a cloroquina é uma questão de opinião e não de protocolos médicos.
Bolsonaro e o seu governo estão à beira da falência e com um quadro clínico pior após o General Pazzuello alegar possível contaminação e literalmente fugir do depoimento. Com isso, o governo sangrará até dia 19 de maio, data do depoimento, enquanto os membros da CPI juntam provas que ligam Bolsonaro diretamente a desastrosa gestão da pandemia, sabotando isolamento social e vacinas, receitando remédios e debochando das mais de 411 mil vítimas.




