[ sábado, 07 de março de 2026 ]
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Justiça é morosa com Beto Richa

Sem foro privilegiado, tucano ainda não foi incomodado pela força-tarefa da Lava Jato

Beto Richa deixou o governo do Paraná no dia 6 de abril. De lá pra cá, já são quatro dias, ou mais de 96 horas que ele perdeu o foro privilegiado. Contudo, até agora, não há informações que o Ministério Público Federal ou o juiz Sérgio Moro tenham solicitado a prisão preventiva ou sequer uma condução coercitiva do tucano. Para se ter uma ideia, o MPF do Paraná peticionou o TRF 4 pedindo a prisão do Lula 12 horas depois do julgamento do habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (4 de abril). 22 minutos depois, Moro mandava prender o petista.

Coitado com sorte (1)
Está com o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) inquérito que apura se Beto Richa teria recebido R$ 2,5 milhões de caixa 2 durante a campanha de 2014. A deleção foi feita pela Odebrecht. Já em outra denúncia, agora de Joesley Batista, dono da Friboi, é mencionado que o ex-governador pede dinheiro e é chamado de coitado. Essa investigação fez com que o Ministério Público Federal chegasse as denúncias no Porto de Santos contra Temer e seus amigos, inclusive decretando prisão preventiva. Mas nada chegou em Richa, por enquanto.

Coitado com sorte (2)
Ainda sobre o caixa 2 de campanha, após a perda do foro privilegiado, a investigação deve descer para as mãos do juiz Sérgio Moro, titular da 13a Vara Federal de Curitiba, uma vez que o inquérito fica sob responsabilidade da força-tarefa do Ministério Público do Paraná. Se for eleito senador, Beto Richa pode se livrar da investigação por mais oito anos.

Coitado com sorte (3)
A morosidade com o tucano é tão grande que o STJ não deu sequência a deleção premiada sobre corrupção passiva e caixa 2 nos desvios da Receita Estadual. A suspensão do inquérito ocorreu após o ministro Gilmar Mendes (STF) entender que o acordo de delação de Luiz Antônio de Sousa tinha que ser celebrado com a Procuradoria-Geral da República, não com MP Estadual, que apura a corrupção.

Com azar?
Ontem, o vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, solicitou que as investigações de quem tinha foro privilegiado desçam para as instâncias cabíveis. Richa é alvo em quatro denúncias. Operação Publicano, dois relativos a Odebrecht, onde ele é conhecido como o “piloto” e um último conhecido como Operação Superagui

Tucanos na mira
A prisão do ex-presidente Lula não aumentou a sensação de justiça, mas de impunidade no país, uma vez que tucanos não são encurralados. Mas agora eles podem ser laçados. O senador Aécio Neves, que ainda tem foro privilegiado, prestará depoimento no dia 17 de maio sobre as malas de dinheiro, dois milhões de reais, que recebeu da Obebrecht. Já a força-tarefa da Lava Jato de São Paulo quer que o ex-governador Geraldo Alckmin, o “santo” das planilhas”, seja investigado imediatamente. Ele é suspeito de receber R$ 10,7 milhões. Segundo a Folha de São Paulo, “no mesmo dia em que Alckmin deixou o governo, a Polícia Federal prendeu o engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, acusado de ser arrecadador de recursos ilegais para campanhas tucanas em São Paulo”.

Manoel Ramires
Manoel Ramires
Jornalista, atuou como editor no Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba e é colunista do Brasil de Fato do Paraná. Já publicou Vozes da Consciência (Entrevistas) e Crônicas dos Excluídos. Atua em jornalismo político.
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