[ sábado, 07 de março de 2026 ]
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Eleonora Menicucci: “Lula é o primeiro preso político do golpe de 2016”

Ex-ministra do governo Dilma Rousseff participou de ato no acampamento Lula Livre, em Curitiba

A Praça Olga Benário, nome batizado ao local de manifestações no acampamento Lula Livre, em Curitiba, recebeu na noite desta sexta-feira (13) a ex-ministra Eleonora Menicucci. Em ato político organizado pelo comitê das mulheres, a professora e socióloga que foi presa e sofreu com o horror da tortura na ditadura militar ressaltou que “Lula é o primeiro preso político do golpe de 2016”.

Golpe ao qual a ex-ministra acompanhou de perto junto à amiga e ex-presidenta Dilma Rousseff. Ambas estiveram presas na mesma cela do presídio Tiradentes, em São Paulo, durante os anos de chumbo. “Eu sei o que é estar no confinamento, porém estávamos lá com outros companheiros e companheiras que lutavam pela mesma causa. Hoje o Lula está isolado, confinado, cerceado até mesmo de seu direito enquanto preso”, comparou.

A ex-ministra, que desde o impeachment de Dilma tem denunciado o caráter misógino, patriarcal e capitalista do golpe, apontou que a segunda fase do golpe é protagonizada pelo Judiciário. Ela fez uma analogia com o golpe civil-militar. “Naquela época enfrentamos as fardas, botas, armas, cadeias, exílio e torturas. Hoje, ele se reveste da toga do judiciário”, citou. “Vivi 21 anos de ditadura e não quero viver isso de novo. A democracia não pode ser presa”, acrescentou.

Enaltecendo o protagonismo das mulheres na resistência pelo país, Eleonora falou dos retrocessos após o golpe de 2016 e o impacto especialmente às mulheres. Como ministra, Eleonora levou em frente a briga contra o feminicídio, a implantação do projeto Casa da Mulher Brasileira e a efetivação da Lei Maria da Penha. “Esse golpe criou o aumento da impunidade, do estupro, da violência contra as mulheres, do feminicídio”, pontuou.

Ao destacar que o país vive um momento de radicalização da luta de classes, Eleonora Menicucci afirmou que seguirá denunciando em suas viagens pelo mundo o que está acontecendo no Brasil. “Esse golpe não fecharia sem essa prisão [do Lula], uma prisão sem nenhuma condição de legalidade, sem dar o direito ao maior líder do país e do mundo se defender. Sem presunção de inocência. Até na ditadura podíamos nos defender. Tá certo que não valia de nada, mas podíamos”, comparou.

Júlio Carignano
Júlio Carignano
Jornalista, atua na imprensa desde 2002 em Cascavel e atualmente em Curitiba. É diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR).
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