[ sexta-feira, 06 de março de 2026 ]
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O Plano Boulos

No Roda Viva, pré-candidato mostra afinidade com ideias de Lula e contra quem fazer a luta

O pré-candidato do PSOL e líder do MTST, Guilherme Boulos, foi entrevistado ontem (7) pelo programa Roda Viva, da TV Cultura. Durante quatro blocos e poucos mais de duas horas, ele se apresentou bastante calmo e coerente nas respostas toda vez que os entrevistadores tentavam colar nele a identidade de candidatura radical à esquerda. Boulos mostrou claramente que o radicalismo no Brasil pertence a Bolsonaro, ao grande capital e ao judiciário, que não abrem mão de seus privilégios. Ele não se rendeu nem quando tentaram expor uma fissura ou “candidatura satélite” sua em relação ao PT. O pré-candidato ainda construiu um mote que soa como música para muitos brasileiros, de esquerda à direita: “É preciso colocar o PMDB na oposição”.

A entrevista ocorreu no mesmo dia em que se completa um mês da prisão de Lula em Curitiba, considerado preso político por Boulos. Com as discussões públicas entre PT e Ciro Gomes (PDT), candidato de centro esquerda mais bem posicionado nas pesquisas com ou sem Lula, a alternativa Boulos parece ser a mais identificada com “a ideia Lula”, que é trazer justiça social e avanços para o povo. O líder do MTST destacou essa semelhança.

“Eu sou o pré-candidato mais jovem da história do país à Presidência da República. E minha companheira de chapa, @GuajajaraSonia, é a primeira indígena a compor uma chapa. Isso é fazer a nova política”.

Para ele, a nova política não passa por políticos tradicionais, mas com a retomada de um pacto com o povo. “O caminho errado é acreditar que os bastidores valem mais do que o diálogo com a população”.

Durante a entrevista, Boulos elencou como adversários dos brasileiros os bancos, o judiciário e a classe política, que detém os privilégios do país e seguem sem perder na crise. Ele questionou porque essas pessoas e a imprensa se posicionam contra quem defende moradia e combate a fome. Disse que o nome disso é solidariedade. P que deveria ser questionado são as verdadeiras regalias do “andar de cima”.

Para Boulos, essa transformação passa pelas reformas. “Temos que fazer uma Reforma Tributária para melhorar o financiamento do Estado brasileiro e governar para as maiorias. E o dinheiro tem que vir de quem hoje não paga nada: os ricaços do país”.

Outra reforma defendida pelo pré-candidato é a do sistema político para que se enfrente “a influência do poder econômico e aumente a representatividade dos parlamentos”. A última grande reforma ataca Moro e seus colegas, segundo Boulos. “Se queremos melhorar o sistema de Justiça, por que não começar pelos privilégios absurdos do próprio Judiciário?”

Bem avaliado

Nas redes sociais, a entrevista foi bem avaliada.  Boulos é considerado coerente e preparado para discutir os rumos do país. Para o colega de partido, Ivan Valente, “Boulos acerta em cheio ao destacar a desigualdade social como o principal problema do país”. Já Chico Alencar destacou o baile nos entrevistadores: “alguns entrevistadores não escondem que são devotos do mercado total, da bancocracia, da intocabilidade do sistema”.

Manoel Ramires
Manoel Ramires
Jornalista, atuou como editor no Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba e é colunista do Brasil de Fato do Paraná. Já publicou Vozes da Consciência (Entrevistas) e Crônicas dos Excluídos. Atua em jornalismo político.
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