A estratégia do candidato à presidência da Câmara dos Deputados, Marcelo Freixo (PSOL), é bem simples. Colar a imagem de Rodrigo Maia (DEM) seu principal adversário, em Bolsonaro (PSL). Assim como o candidato a presidente, Guilherme Boulos (PSOL), dizia que o ex-militar era um dos “50 tons de Temer”, Freixo quer fazer crer que o “Botafogo” da lista da Odebrecht será o grande cão de guarda das pautas conservadoras.
E é mesmo. A aposta de Freixo é criar a pressão externa na sociedade, principalmente na militância de esquerda, para que seu nome ganhe força e possa constranger parlamentares a adotar uma candidatura que possa ser um freio a pauta de extrema direita.
Mas o PSOL e os parlamentares de oposição sabem que a roda interna da Câmara não funciona assim. Na logística própria – e que a maioria da população, sabidamente, não entende -, é perfeitamente possível uma aliança entre os radicais do PSL e os carguistas do PDT e do PCdoB. Para esses, é o toma lá, da cá que está em jogo. Ambos lados assumem sem nenhum constrangimento.
A deputada federal Joice Hasselmann, foi uma das primeiras a mudar de lado. Crítica a Maia antes de ser eleita, admitiu que ganhar espaço na mesa diretora é fundamental para tocar os projetos. É a real política e a hipocrisia andando juntas.
O mesmo argumento foi utilizado pelo líder do PCdoB, Orlando Silva. “No caso das eleições para o comando das casas legislativas, os debates giram entorno da reafirmação da autonomia do poder e não submissão ao Executivo, dos compromissos com a manutenção da democracia interna da Casa, do respeito ao regimento e à proporcionalidade para distribuição dos espaços na mesa diretora, em comissões, relatorias”, justificou.
O argumento, por outro lado, assim como o PDT, que justifica seu apoio a Maia com o famoso “mas e o PT”, revela uma política de quem não sabe perder. Marcelo Freixo, e o próprio PT, mais o PSB, lançam uma candidatura de oposição sabendo que provavelmente serão derrotados. No entanto, também tem consciência que essa derrota fortalece seu papel de liderança junto a militância, a ativistas e sindicatos. E no final das contas, é o povo na rua, não o cargo em uma comissão e o beija mão do poder, que terá potencial para barrar reformas da previdência e a institucionalização da perseguição a movimentos sociais e minorias.




