Há poucos dias, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se eximiu de culpa com relação às 5 mil mortes por Covid-19 e responsabilizou os governadores e prefeitos. “E daí? Lamento. Sou Messias, mas não faço milagres”, disse ao lavar as mãos diante da pandemia.
Logo ele que fritou o então ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, por adotar o isolamento social como medida eficaz no combate ao coronavírus e questionar a eficácia da cloroquina, tão divulgada pelo presidente, no tratamento do vírus. Bolsonaro ainda abriu conflito com o agora ex-ministro da Justiça Sérgio Moro para tentar emplacar um diretor-geral da PF que possa proteger ele e seus filhos de investigações como rachadinhas e fake news.
O irresponsável presidente ainda tem sabotado os esforços de prefeitos e governadores para frear o pico da pandemia e ampliar o atendimento do SUS e da rede hospitalar privada para evitar ou minimizar a contaminação. Já são mais de 80 mil casos confirmados e 7 mil óbitos em um cenário que não para de subir.
Bolsonero, aquele que governa colocando fogo no país, tem estimulado quase que diariamente a desobediência civil do seu eleitorado contra as leis do país, as recomendações de saúde e os decretos de quarentena. Ele desfila sem máscara pelo comércio, não concentra esforços no enfrentamento da Covid-19 e ainda dá corda para que os bolsonaristas (agora ex-lavajatistas) ataquem o Congresso Nacional, o STF e a imprensa por simplesmente cumprirem a Constituição Federal ou informarem a população.
Pelo segundo domingo seguido, ele testou mais uma vez as normas democráticas a participar de atos pedindo o fechamento do Congresso, o fim do isolamento social, a volta da Ditadura Militar e novo Ai-5. Cínico, diz que governa com o povo, mesmo sendo desaprovado por 51% dos brasileiros, contra os interesses do sistema, mesmo negociando com o Centrão, e com as Forças Armadas, mesmo os generais afirmando que não embarcam em uma nova aventura antidemocrática.
Acuado por investigações, a Bolsonero, o coveiro do Brasil, só resta cada vez mais construir um autogolpe em que possa governar conforme a cartilha bolsonariana. E sua milícia já está preparada para a guerra. A violência moral já deixou as redes sociais e se torna física em atos como da semana passada, quando um bolsonarista agrediu uma mulher em Porto Alegre e ontem (3), quando um cidadão miliciano agrediu um jornalista do “Estado de São Paulo” estimulado pelos discursos e impróprios presidenciais contra a imprensa que não o obedece.
O presidente testa os limites legais enquanto as instituições, partidos de oposição e sociedade não reagem à altura, limitando-se a notinhas de repúdio e lamentações nas redes sociais. A maioria do povo que rechaça Bolsonaro está desorganizada e aguardando lideranças que possam ser capazes de enfrentar a pandemia e o genocida que ocupa à Presidência da República.




