Desligamentos por mortes no comércio do Paraná disparam em 2021

Foi verificado aumento de 87% nos desligamentos por morte em todo o Brasil, contabilizando 57.862 registros





Foto: Hully Paiva/SMCS

O tempo e os dados têm demonstrado que a tese contra o distanciamento social foi fundamental para o número de casos de Covid-19 e mortes. A reabertura ou manutenção do comércio aberto com a posição de que era preciso aquecer a economia, expôs os trabalhadores desses setores à contaminação. É o que aponta levantamento do DIEESE com base em dados do Caged. De acordo com a pesquisa, os desligamentos por morte cresceram 87% de 2020 para 2021. O Paraná foi o estado com o maior aumento: 175%.

As estatísticas têm como base o regime celetista. Nele, em 2020, o Caged registrou 31001  mil desligamentos por morte entre janeiro e junho. Já em 2021, em igual período, 57862 desligamentos por morte foram registrados. A maior quantidade de desligamentos foi registrada em abril, com 11963. Março e abril registraram picos de casos no país. Em 7 de abril, o Brasil teve recorde de mortes, com 3829 vítimas.

“No comércio, comparando os dados do mesmo período (janeiro a junho de 2020 e 2021), os desligamentos por morte aumentaram 99%, no atacado, e 92% no varejo. O maior aumento de desligamentos por morte foi registrado por vendedores do comércio atacadista (204%)”, aponta a pesquisa.

Os vendedores varejistas, com 1601 desligamentos por morte, lideram negativamente a estatística. Atrás dessa profissão, estão operador de caixa, com 565 desligamentos, motorista de caminhão, com 541, e repositor de mercadorias, com 470 desligamentos.

O Paraná lidera o maior aumento de desligamentos por mortes em 2021 no comércio. O estado aumentou a exposição social em 2021 com decretos estadual e das prefeituras que reabriram o comércio. Neste ano, foi registrado pico de casos em 7 de março, com 45 mil registros, e em 11 de março, com 11330. O Paraná ainda teve pico de mortes em abril e junho. Com isso, o aumento de desligamentos no comércio paranaense atingiu 175%. Atrás estão Mato Grosso (172%) e Rondônia (172%).